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sexta-feira, março 28, 2025
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Conscientização da Sociedade: Pilar Determinante para a Segurança Digital no Brasil

Dando continuidade à série de artigos entre o Itshow e o Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC), abordamos agora um pilar essencial para a cibersegurança no Brasil: a conscientização e educação digital da sociedade. Diante do crescimento exponencial de ameaças virtuais, torna-se cada vez mais urgente implementar iniciativas amplas e estruturadas para educar e proteger diferentes segmentos da população, dos jovens aos idosos, para que estejam cientes dos riscos e vulnerabilidades específicos.

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O Desafio do Analfabetismo Digital e a Necessidade de Consciência Cibernética

O relatório do INCC destaca que mais de 50% dos brasileiros ainda carecem de conhecimentos básicos sobre segurança digital, e uma parcela significativa da população permanece em situação de analfabetismo digital. Este dado preocupa porque reflete a vulnerabilidade da sociedade diante de práticas de engenharia social.

No Brasil, pesquisas indicam que cerca de 65% dos ataques cibernéticos exploram essa vulnerabilidade, seja por meio de golpes de phishing, seja pelo uso de técnicas mais avançadas que exploram o comportamento das vítimas. A falta de letramento digital básico compromete tanto a segurança individual quanto a proteção de dados em organizações, instituições e comunidades.

Iniciativas Brasileiras de Destaque na Conscientização Digital

Embora o Brasil ainda enfrente desafios em letramento digital, algumas iniciativas nacionais têm se mostrado efetivas e podem ser escaladas para atingir um público maior:

  1. Programa “Internet Segura” – Em parceria com grandes empresas de tecnologia, essa campanha educacional visa ensinar o uso seguro e consciente da internet. São distribuídas cartilhas, vídeos e conteúdos online que auxiliam usuários de diferentes idades a reconhecer fraudes e comportamentos suspeitos no ambiente virtual.
  2. Projeto “Educação para a Cidadania Digital” – Desenvolvido em escolas públicas e municipais em parceria com o Ministério da Educação, esse programa aborda o uso responsável da internet e introduz noções de privacidade e segurança para crianças e adolescentes. Ao longo dos últimos anos, o programa já alcançou mais de 500 mil alunos, promovendo uma base de conhecimento fundamental para a segurança digital.
  3. Iniciativa do CERT.br para a capacitação em segurança cibernética – O Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br) tem promovido conteúdos educativos voltados à população e cursos especializados para profissionais de segurança digital. O CERT.br oferece cursos acessíveis, vídeos e campanhas, além de orientar sobre melhores práticas, prevenção de ataques e reconhecimento de tentativas de fraude.

Essas campanhas têm sido fundamentais para popularizar o conhecimento sobre cibersegurança entre os brasileiros, mas ainda há uma necessidade de maior integração para facilitar acesso por parte da população, expansão e continuidade dessas ações para atender a um público maior e em mais profundidade.

Investimentos do Setor Privado e Público na Educação e Consciência Cibernética

No Brasil, o setor privado investe consideravelmente em educação e conscientização digital. Em 2023, empresas brasileiras destinaram cerca de R$ 1,2 bilhão a iniciativas de cibersegurança, com aproximadamente R$ 450 milhões dedicados exclusivamente a programas de conscientização digital. Bancos e empresas de tecnologia lideram esses investimentos, promovendo campanhas que ensinam práticas de segurança digital a clientes e colaboradores.

Ilustração mostra um escudo de proteção com cadeado contra vazamento de dados
Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

Do lado do setor público, o governo federal destinou, em 2022, aproximadamente R$ 200 milhões para programas de letramento digital e campanhas de conscientização, com foco em iniciativas escolares e orientadas a idosos. Comparando com países mais avançados, essa diferença de valores é expressiva: os Estados Unidos, por exemplo, investem anualmente o equivalente a 0,004% do seu PIB em campanhas e programas de conscientização cibernética, o que representa cerca de R$ 10 bilhões em valores ajustados. Em contraste, o investimento do Brasil, ajustado pelo PIB, é cerca de 0,002%, ou seja, menos da metade, o que impacta o alcance e a eficácia das campanhas no país.

A Estônia, um país referência em cibersegurança, investe aproximadamente 0,01% do seu PIB em letramento digital e conscientização, o que reflete sua aposta em uma população altamente capacitada para enfrentar ameaças digitais. Esse índice elevado de investimento, proporcionalmente ao PIB, permite que programas de cibereducação comecem na infância, criando uma base sólida de conhecimento em segurança digital.

Esses investimentos em países de ponta demonstram que, enquanto o setor privado brasileiro se destaca em sua participação no financiamento de cibersegurança e educação digital, o investimento público precisa ser ampliado para alcançar um nível de conscientização mais uniforme e abrangente. Parcerias público-privadas têm mostrado resultados promissores e, ao serem expandidas, podem oferecer campanhas com maior impacto e cobertura nacional.

Propostas para Fortalecer a Cultura de Cibersegurança no Brasil

Para que o Brasil avance no fortalecimento de sua cibersegurança, o INCC sugere propostas tangíveis baseadas em seu relatório e nas iniciativas nacionais:

  1. Educação Digital para Todas as Idades – Incluir disciplinas de cibersegurança no currículo escolar ajudará a preparar uma nova geração para os desafios digitais. Em países como a Estônia, onde o ensino de cibersegurança é parte do currículo, a conscientização digital entre jovens e adultos já é mais elevada.
  2. Campanhas de Conscientização em Massa – Assim como o programa norte-americano Stop.Think.Connect., o Brasil pode desenvolver uma campanha nacional que ofereça guias acessíveis sobre práticas básicas de segurança. Isso incluiria identificar tentativas de phishing, configurar senhas seguras e proteger dispositivos móveis, abrangendo tanto crianças quanto adultos e idosos.
  3. Capacitação de Agentes Públicos – O treinamento de agentes de segurança pública para lidar com cibercrimes e incidentes digitais é essencial. Além disso, esses agentes podem servir como multiplicadores de boas práticas de segurança em suas comunidades.
  4. Iniciativas Regionais e Comunitárias – A criação de parcerias entre governos estaduais e municipais pode levar programas de conscientização a comunidades locais, com foco em capacitar pessoas com baixa acessibilidade digital, como idosos e comunidades rurais. Essas iniciativas podem incluir oficinas presenciais e materiais em formatos acessíveis.

A criação de uma cultura nacional de cibersegurança exige colaboração contínua entre o setor público, o setor privado e a sociedade civil. As iniciativas já em andamento no Brasil, juntamente com as propostas do INCC, mostram que, com apoio e investimento, é possível promover uma cultura de segurança digital eficaz e integrada. A continuidade e ampliação desses programas são essenciais para preparar a população para os desafios digitais e garantir a proteção de seus dados e sua privacidade no ambiente online.

O Brasil tem a oportunidade de se destacar na conscientização digital, e o próximo artigo desta série abordará a importância da formação de capital humano no âmbito profissional como outro pilar importante para o aumento da resiliência cibernética de forma sistêmica no nosso país. Nos vemos lá!

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