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quarta-feira, abril 2, 2025
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A relevância dos relatórios SOC na clareza e proteção das informações em um cenário de terceirização

A crescente dependência da terceirização para alcançar lucros e eficiência também leva a um crescimento na desconfiança ao compartilhar informações confidenciais com outras pessoas. Clientes, funcionários e entidades reguladoras exigem maior transparência nas práticas de proteção de dados.

Relatórios de confirmação, como os relatórios SOC (Service Organization Controls – Controles da organização de serviços), são essenciais para consolidar essa confiança, demonstrando a existência de controles adequados em operação para proteger informações financeiras e sigilosas. Setores como o de tecnologia da informação e os financeiros utilizam o relatório SOC para garantir a eficácia de seus controles. Em contrapartida, setores emergentes como a FinTech e a logística também adotam essas técnicas de documentação.

Os relatórios SOC promovem a confiança e a transparência, promovem a eficiência e promovem a eficácia, para a diminuição dos custos de conformidade e para o cumprimento das obrigações contratuais, além de tratar de forma proativa os riscos presentes.

Como surgiu os relatórios SOC?

O SOC se originou nos anos 70, quando o AICPA (American Institute of Certified Public Accountants – Instituto Americano de Contadores Públicos Certificados) lançou o SOC 2 juntamente com o SAS 1 (Statement on Auditing Standards – Declaração sobre Normas de Auditoria), que definiu de maneira oficial as funções e obrigações dos auditores independentes.

Com o passar do tempo, foram introduzidos novos padrões SAS, culminando no SAS 70 em 1992. Os CPAs (Certified Public Accountants – Contadores Públicos Certificados) começaram a empregar este padrão na década de 1990 para avaliar a efetividade dos controles financeiros internos das empresas, ampliando sua utilização para abranger a segurança da informação.

Depois disso, com o aumento da terceirização de serviços como processamento de folha de pagamento e computação em nuvem, tornou-se crucial assegurar a segurança desses serviços por meio de auditorias de confiança.

Em 2010, o SOC 2 foi formalmente introduzido, com o lançamento do SSAE 16 (Statement on Standards for Attestation Engagement – Declaração sobre Padrões para Engajamento de Certificação) pelo AICPA. Esse novo padrão resultou nos relatórios do SOC, que incluíram o SOC 2, além do SOC 1 e SOC 3.

Em maio de 2017, o AICPA substituiu o SSAE 16 pelo SSAE 18, para simplificar alguns aspectos confusos, abrangendo assim todos os relatórios SOC 1, SOC 2 e SOC 3.

Mas o que é um SOC report?

Os relatórios SOC são estruturas de avaliação de controles internos de uma organização de serviço, estabelecidas pelo AICPA. Existem três tipos de relatórios SOC: SOC 1, SOC 2 e SOC 3

  • SOC1: avalia os controles que afetam os relatórios financeiros, como os relacionados a folha de pagamento e processamento de pagamentos. 
  • SOC2: avalia os controles internos de forma mais abrangente, com ênfase na segurança da informação. Inclui testes e resultados do auditor.
  • SOC3: o relatório SOC 3 está disponível para consulta pública e oferece às partes interessadas uma visão sobre os controles da organização de serviço ligados à segurança, disponibilidade, integridade do processamento e/ou privacidade. Sempre se baseia nos resultados de uma avaliação SOC 2 Tipo II para elaborar o relatório de auditoria SOC 3.
Profissionais de TI trabalhando em um centro de operações de segurança moderno, monitorando dados cibernéticos em várias telas, com vista noturna de uma cidade iluminada ao fundo. (soc siem)
Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

Tipos de Relatório I e II: As conclusões de auditoria SOC 1 e SOC 2 podem ser classificadas como Tipo I ou Tipo II. A distinção é que o Tipo I é uma análise pontual dos controles, enquanto o Tipo II é uma análise da efetividade desses controles ao longo de um período, geralmente seis meses ou mais.

Quais os benefícios?

Os relatórios SOC têm o potencial de auxiliar as organizações na avaliação e gestão dos riscos ligados aos fornecedores que prestam um serviço terceirizado, assim como:

  • Fomentar confiança e transparência entre as partes interessadas, tanto internas quanto externas;
  • Melhorar a eficiência, ao mesmo tempo que diminui os custos de conformidade e o tempo dedicado a auditorias e questionários de fornecedores;
  • Cumprir as obrigações contratuais e atender às preocupações do mercado com relatórios adaptáveis e personalizados;
  • Gerenciar proativamente os riscos em toda a organização.

Somente confiar no resultado dos controles do SOC é suficiente?

A resposta é não! Pois, os CUECs (Complementary User Entity Controls – Controles complementares de entidade de usuário)são uma parte crucial de qualquer relatório de auditoria SOC. Quase todos os relatórios de auditoria SOC, incluindo SOC 1, SOC 2 e SOC 3, dependem de CUECs.

CUECs e organizações de serviços

Os CUECs são essenciais nos relatórios SOC, pois garantem a eficácia do ambiente de controle. A ausência de CUECs em um relatório torna-o incompleto, podendo gerar complicações na auditoria. Geralmente, os CUECs são listados em seções específicas do relatório, logo após a descrição do sistema de controles.

As organizações de serviço devem identificar os CUECs relacionados aos serviços prestados, definindo claramente os serviços, objetivos de controle e responsabilidades das entidades usuárias. Essa identificação deve ser documentada e comunicada às entidades, incorporando os CUECs ao relatório anual. Além disso, à medida que novos controles e serviços são implementados, os CUECs devem ser atualizados para que as entidades usuárias estejam cientes de suas responsabilidades de controle interno.

CUECs e entidades de usuário

Se sua organização é uma entidade de usuário que interage com organizações de serviço que recebem relatórios SOC 1, SOC 2 ou SOC 3, é fundamental entender os diferentes tipos de Controles Complementares de Entidade de Usuário (CUECs) e seu funcionamento. Os CUECs variam conforme o tipo de relatório, a organização de serviço e o setor.

As entidades de usuário devem revisar os relatórios SOC das organizações de serviço que utilizam, identificando todos os CUECs relevantes. Após essa identificação, é crucial documentar os controles específicos implementados para cada CUEC. Esse mapeamento assegura que os controles das entidades de usuário sejam eficazes e atendam aos requisitos dos CUECs, permitindo que confiem nos sistemas de controle das organizações de serviços.

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