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quinta-feira, abril 3, 2025
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ONU avança em toolkit global para parcerias público-privadas no combate à fraude

Iniciativa inédita da UNODC visa estruturar diretrizes práticas de colaboração entre governos e setor privado para enfrentar fraudes organizadas e crimes cibernéticos.

A Organização das Nações Unidas, por meio do Escritório sobre Drogas e Crime (UNODC), está promovendo entre os dias 2 e 4 de abril de 2025, em Viena, uma reunião global de especialistas para validar o rascunho do novo toolkit internacional de parcerias público-privadas (PPPs) voltado ao combate à fraude organizada. A iniciativa busca estabelecer uma abordagem colaborativa entre governos, empresas e sociedade civil, com foco especial na crescente ameaça de fraudes digitais e crimes cibernéticos.

A proposta da ONU é criar um guia estratégico e operacional, com diretrizes adaptáveis para diferentes níveis de maturidade cibernética entre os Estados-membros, permitindo que países em estágios iniciais ou mais avançados possam implementar modelos eficazes de cooperação.

Fraudes digitais organizadas: uma ameaça em expansão

Nos últimos anos, a fraude organizada passou a incorporar tecnologias avançadas, engenharia social e ferramentas digitais que facilitam sua disseminação em larga escala. Esse fenômeno tem impacto direto na confiança institucional, na segurança econômica e na integridade de sistemas públicos e privados. A resposta da ONU, por meio do toolkit, busca justamente oferecer um modelo de enfrentamento baseado em inteligência multissetorial, com protagonismo do setor privado no fornecimento de dados, soluções e inovação.

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Imagem gerada por inteligência artificial

O documento é estruturado com base nos chamados “4 Ps”:

  • Prevenir (ações proativas para reduzir riscos);
  • Proteger (indivíduos, instituições e sistemas);
  • Promover (colaboração e boas práticas entre setores);
  • Perseguir (responsabilização de atores criminosos com uso de inteligência e investigação conjunta).

Participação brasileira e alinhamento com práticas globais

Representando o Brasil e a América Latina, especialistas do Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC) participam ativamente das discussões, apresentando o modelo brasileiro de cooperação técnica com o governo federal e estados. A experiência foi reconhecida como uma contribuição concreta para o debate global, especialmente pela criação de uma aliança multissetorial de cibersegurança que tem influenciado diretrizes nacionais.

Durante o primeiro dia do evento, foi apresentada uma versão preliminar do toolkit, com foco em sua estrutura conceitual e objetivos estratégicos. A partir disso, os participantes passaram a contribuir com sugestões técnicas sobre a aplicabilidade das PPPs no contexto digital — um dos pontos centrais foi justamente a necessidade de adaptar o conceito tradicional de PPPs, historicamente ligado a grandes projetos de infraestrutura, para parcerias flexíveis e orientadas à segurança da informação.

A equipe organizadora enfatizou a importância de incluir orientações práticas, casos de uso reais e modelos replicáveis. As contribuições brasileiras trouxeram justamente esse componente prático, reforçando que a construção de uma política pública de cibersegurança eficaz depende de múltiplos atores e de mecanismos que facilitem a cooperação em ambientes altamente dinâmicos e digitais.

Desafios de implementação e próximos passos

Um dos principais desafios identificados no encontro é a criação de um modelo que possa ser utilizado por países com diferentes níveis de maturidade digital e capacidade institucional. O toolkit, portanto, está sendo desenhado para atender desde economias emergentes até nações com sistemas avançados de proteção cibernética.

A programação do evento inclui sessões temáticas que exploram os quatro pilares do documento, bem como estudos de caso e construção de roteiros práticos para adoção das PPPs. Nos próximos dias, os participantes vão colaborar na finalização da estrutura operacional do toolkit, incluindo checklists, mapas de stakeholders e planos de engajamento. A versão final deverá ser publicada no primeiro semestre de 2026.

Perspectivas para líderes de TI e segurança

Para CIOs, CISOs e líderes de tecnologia, o toolkit surge como uma oportunidade real de evoluir suas práticas de segurança e governança, conectando-as com padrões globais. Mais do que um documento técnico, ele abre caminhos para que as organizações fortaleçam sua capacidade de resposta frente às fraudes e ameaças digitais que não param de crescer. Ao apostar em um modelo de colaboração ativa entre setores, o material também ajuda as empresas a se posicionarem como protagonistas em ações estratégicas de segurança — tanto no cenário nacional quanto internacional.

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