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quinta-feira, junho 20, 2024
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5 Estratégias Essenciais para a Resiliência Cibernética – RSAC Insights

Esta é a quarta matéria da série “Por dentro da RSA”, onde abordamos os temas mais relevantes da RSA Conference. A sessão “Building Your Roadmap to Cyber Resilience“, comandada por Jennifer Minella, fundadora e conselheira principal da Viszen Security, e Alex Sharpe, diretor geral da Sharpe42, destacou-se por sua abordagem prática e direta sobre como as organizações podem fortalecer sua capacidade de resposta a ameaças cibernéticas.

O Papel da Resiliência Cibernética nas Organizações Modernas

A resiliência cibernética transcendeu a área técnica e agora é parte integrante das estratégias de alto nível das empresas. No painel, Jennifer Minella e Alex Sharpe explicaram que a resiliência não é apenas sobre recuperar-se de ataques, mas sim sobre manter operações contínuas e eficientes mesmo sob ameaça. Eles destacaram que, com o aumento dos ataques cibernéticos globalmente, nunca foi tão crucial ter um plano robusto que incorpore prevenção, detecção e resposta rápida.

Durante a apresentação, os palestrantes enfatizaram a importância de um ciclo proativo de “Proteger, Detectar, Recuperar”. Este ciclo não só aborda as necessidades tecnológicas mas também as humanas e organizacionais, criando uma cultura de resiliência que permeia todos os níveis da organização. A ideia é que a resiliência se torne uma prática diária, integrada às operações normais da empresa, e não apenas uma reação em momentos de crise.

Além disso, Alex Sharpe detalhou como a adaptação contínua às novas ameaças e a integração de respostas rápidas são essenciais para a manutenção da segurança. Ele citou exemplos de como empresas sem planos eficazes de resiliência cibernética acabaram enfrentando interrupções significativas que poderiam ter sido mitigadas com uma melhor preparação.

Construindo um Roteiro Efetivo para Resiliência Cibernética

O roteiro de 7 passos para a construção da resiliência, apresentado durante a sessão, oferece uma estrutura clara para as organizações seguirem. O primeiro passo é estabelecer uma governança forte com frameworks padronizados de gestão de risco e segurança da informação. Jennifer Minella explicou que começar com uma base sólida é crucial para o sucesso de qualquer estratégia de resiliência.

O segundo passo para a resiliência cibernética é entender profundamente o ecossistema da empresa, incluindo todas as dependências internas e externas. Isso envolve mapear como as informações fluem dentro da organização e como ela interage com externos, como clientes e fornecedores. Este entendimento é fundamental para identificar onde as vulnerabilidades existem e como elas podem ser protegidas.

O terceiro passo, como destacado por Jennifer Minella, envolve a definição clara de quem são os stakeholders críticos e como as informações são prioritárias para cada segmento de negócio dentro da organização. Isso é crucial para garantir que, no evento de um ataque cibernético, os recursos possam ser alocados eficientemente para proteger os aspectos mais vitais da operação.

O quarto passo para a resiliência cibernética no roteiro trata da implementação de medidas proativas de segurança, que incluem a regular revisão e atualização de políticas de segurança, a realização de treinamentos de conscientização para os funcionários, e o investimento em tecnologias avançadas de detecção e resposta a incidentes. Estas ações ajudam a criar uma barreira robusta contra ataques e reduzem o tempo de resposta quando eles ocorrem.

O quinto passo discutido foi a simulação de incidentes de segurança. Alex Sharpe destacou a importância de testar regularmente os sistemas de resposta a incidentes com simulações realistas, permitindo que a organização identifique falhas nos seus planos de resposta e faça os ajustes necessários antes que ocorra um incidente real. Esta prática ajuda a garantir que a equipe esteja bem preparada e que os sistemas de segurança sejam eficazes sob pressão.

O sexto passo no roteiro envolve a preservação de conjuntos de dados críticos. Este passo exige que as organizações planejem backups imutáveis para todos os dados, aplicativos, infraestruturas e configurações essenciais. A ideia é garantir que, em caso de ataque cibernético, os dados vitais possam ser restaurados rapidamente, minimizando a interrupção das operações e protegendo as informações sensíveis de possíveis comprometimentos. Essa prática não só reforça a segurança como também aumenta a resiliência, permitindo que a organização mantenha suas funções críticas sob quaisquer circunstâncias.

O sétimo e último passo para a resiliência cibernética é a realização de testes independentes para validar a eficácia das estratégias implementadas. Esse passo envolve a avaliação e o teste independentes da implementação da resiliência operacional para garantir que todos os sistemas e processos estejam funcionando conforme o planejado.

Além de verificar a prontidão, esses testes permitem identificar e corrigir falhas antes que elas possam ser exploradas em um ataque real. Assim, a organização pode ajustar e aprimorar continuamente suas estratégias de resiliência, assegurando que estejam sempre alinhadas com as melhores práticas e as ameaças cibernéticas em evolução.

Por fim, os palestrantes abordaram a necessidade de definir níveis de serviço mínimos que possam ser mantidos durante um incidente de segurança. Isso inclui determinar quais operações são essenciais e como elas podem continuar em caso de ataques. A capacidade de manter operações críticas durante uma crise não apenas minimiza as perdas financeiras, mas também protege a reputação da empresa e a confiança dos stakeholders.

A Importância da Resiliência Cibernética

Em minha visão, após assistir a esta apresentação esclarecedora na RSA Conference, fica evidente que a resiliência cibernética é mais do que uma necessidade técnica; ela é uma estratégia de negócios essencial que requer compromisso contínuo e evolução constante. As empresas que adotam um roteiro de resiliência cibernética não estão apenas se protegendo contra potenciais ameaças, mas estão também se capacitando para responder de maneira eficaz e eficiente em um cenário de incidentes.

A chave para a resiliência não está apenas em implementar as ferramentas certas, mas em cultivar uma cultura organizacional que valorize e entenda a segurança cibernética em todos os níveis da empresa. Este é o alicerce sobre o qual todas as outras estratégias devem ser construídas. Com o panorama de ameaças cibernéticas em constante evolução, é imperativo que as organizações se mantenham vigilantes, adaptáveis e prontas para responder a qualquer momento.

A resiliência cibernética, portanto, transcende a simples prevenção de ataques; ela é uma demonstração de maturidade organizacional e um indicador de uma empresa verdadeiramente preparada para o futuro. As estratégias discutidas durante a RSAC são um excelente ponto de partida, e incorporá-las pode fazer a diferença entre uma empresa que sobrevive a um ataque cibernético e uma que prospera apesar dele.

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Allex Amorim
Allex Amorimhttp://www.allexamorim.com.br/
Mais de 20 anos de experiência em diversos setores, especializando-se em Tecnologia, LGPD e Segurança da Informação. Desenvolveu e executou planos de segurança, gerenciou crises e equipes multidisciplinares, além de atuar como conselheiro consultivo. Escreveu sobre segurança e inovação, utilizou metodologias ágeis e dominou a gestão de equipes em ambientes complexos, destacando-se pela capacidade analítica, liderança, e habilidade em promover a colaboração e adaptabilidade.
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