Durante a cobertura do CommScope Horizons 2025, em São Paulo, o Itshow entrevistou Danilo Marçal, executivo de TI da Coplana, pouco antes de sua palestra. A conversa, conduzida por Cíntia Ferreira e Natália Oliveira, trouxe reflexões sobre os avanços e desafios da transformação digital no agronegócio, com destaque para a conectividade como pilar essencial da inovação.
Conectividade como prioridade estratégica
Segundo Marçal, a transformação digital da Coplana só pôde avançar depois de uma profunda revitalização da rede. “A transformação digital só foi possível depois de revitalizarmos nossa rede. Se não tivéssemos resolvido essa infraestrutura, qualquer avanço teria fracassado. A conectividade é o verdadeiro alicerce da transformação”, afirmou o executivo.
Ele explicou que, ao assumir a missão de modernizar a TI da cooperativa, identificou que a rede legada, com mais de 15 anos, era insuficiente para suportar sistemas em nuvem e novas aplicações. A decisão foi investir em infraestrutura de ponta, em parceria com a CommScope, padronizando ambientes com soluções de alta confiabilidade e garantia estendida.
Impacto financeiro e ganhos de eficiência
Um dos pontos mais contundentes da entrevista foi a relação entre infraestrutura tecnológica e performance de negócios. “Uma rede obsoleta era o maior bloqueio de evolução. Ao mostrar o custo da ineficiência, vimos que só na fábrica o risco evitado representava mais de 11 milhões de reais ao ano”, destacou.
Essa análise de risco, segundo Marçal, foi fundamental para sensibilizar a alta gestão e aprovar os investimentos necessários. A Coplana adotou indicadores de disponibilidade mínima de 99% de SLA, reduzindo drasticamente paradas de sistemas e prejuízos operacionais.
Wi-Fi como padrão homologado
Outro movimento estratégico foi a padronização do Wi-Fi como base para novas aplicações no ambiente fabril e corporativo. “O futuro da conectividade dentro da cooperativa é priorizar Wi-Fi e investir cada vez menos em cabeamento. O Wi-Fi é o novo padrão homologado”, reforçou.
Com essa política, a Coplana ampliou a adoção de IoT e machine learning em suas unidades, conectando máquinas, sensores e sistemas de automação em tempo real. O modelo garantiu maior flexibilidade, escalabilidade e suporte à digitalização do agronegócio.
Cooperativas e tecnologia como serviço
Marçal também chamou atenção para o papel das cooperativas no suporte aos produtores rurais. “O grande desafio das cooperativas é apoiar o cooperado em tecnologia sem investir diretamente nas propriedades. Uma alternativa é oferecer conectividade e soluções como serviço”, explicou.
A proposta, segundo o executivo, pode gerar ganhos de produtividade, aumento da rentabilidade e, ao mesmo tempo, fortalecer o modelo cooperativista ao compartilhar benefícios entre associados.

Inteligência artificial sob escrutínio
O tema inteligência artificial também surgiu como ponto de reflexão. Embora reconheça o potencial da tecnologia, Marçal alertou para os riscos de implementação precipitada. “A inteligência artificial será decisiva, mas 85% dos projetos falham por falta de aplicabilidade. Sem segurança da informação e sem treinar a IA com dados corretos, ela não entrega valor”, ressaltou.
O executivo recomendou que empresas adotem políticas de governança claras para IA, assegurando proteção de dados estratégicos e treinamento adequado das equipes.
Reconhecimento ao time e cultura de execução
Encerrando a entrevista, o líder de TI fez questão de ressaltar o papel da equipe no sucesso do programa de transformação digital. “Sem meu time nada seria possível. Estratégia e orçamento só viram realidade com execução de qualidade. Eles foram essenciais para entregar nosso case de transformação digital”, concluiu.
Confira abaixo a entrevista exclusiva que Danilo Marçal, concedeu ao Itshow durante o CommScope Horizons 2025!
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