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Rotinas de backup: O que são e como implantá-las?

Qual a importância das rotinas de backup?

Em qualquer ambiente de negócios, a retenção de dados é uma tarefa delicada, equilibrada entre as exigências legais e as necessidades práticas da empresa. As empresas são obrigadas a reter certos dados por períodos de tempo especificados por lei. 

No entanto, esses períodos podem variar dependendo da natureza do dado em questão. Por exemplo, informações relacionadas a contratos de trabalho podem ter requisitos de retenção diferentes das informações de TI. Como regra geral, muitas empresas optam por reter informações gerais de TI por um período de cinco anos.

Para falar sobre o tema, André Rocha, CISO na Braskem, e Léo Feijó, especialista de soluções de microssegmentação da Akamai, trazem suas perspectivas.

“Por legislação, tem algumas regras que precisam ser seguidas em relação à retenção de informações. Geralmente, as empresas guardam por cinco anos informações gerais de TI. E aí (…) eu preciso fazer um backup, tanto do ambiente de desenvolvimento, que tem uma retenção menor, quanto do ambiente produtivo. É importante entender também qual é o tempo de indisponibilidade que a empresa aceita.” – André Rocha.

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O que são as rotinas de backup?

Rotinas de backup são processos sistemáticos e planejados de criação de cópias de segurança de dados e informações armazenadas em sistemas eletrônicos. 

Geralmente são implementadas para garantir a recuperação dos dados em caso de perda, corrupção, ataque cibernético, ou qualquer outro evento que possa comprometer a integridade dos dados originais. As rotinas de backup podem ser realizadas manualmente ou de forma automatizada, utilizando softwares especializados.

Qual a frequência das rotinas de backup?

O gerenciamento de backup é uma faceta essencial da retenção de dados. As estratégias de backup devem ser adaptadas para se ajustar ao tipo de ambiente em questão. Por exemplo, os ambientes de desenvolvimento, onde os desenvolvedores trabalham ativamente no código, exigem backups, mas geralmente com uma retenção menor.

Isso ocorre pois, em caso de perda de dados, a restauração rápida pode limitar o impacto no progresso do desenvolvimento de código. Em contraste, o ambiente produtivo requer uma consideração cuidadosa do tempo de indisponibilidade aceitável para a empresa, influenciando a frequência e a abrangência dos backups.

Quais são os principais tipos de backup?

Existem diferentes tipos de backups, dependendo das necessidades específicas e da quantidade de dados a serem protegidos. Alguns dos tipos comuns de backup incluem:

  1. Backup total (ou completo): Este tipo de backup envolve a cópia de todos os dados e arquivos de um sistema. Embora seja o método mais seguro, também é o mais demorado e requer mais espaço de armazenamento.
  2. Backup incremental:Este método só faz backup das alterações feitas desde o último backup, seja ele completo ou incremental. Este tipo de backup é mais rápido e requer menos espaço de armazenamento, mas a restauração dos dados pode ser mais demorada, pois todos os backups incrementais devem ser restaurados na sequência correta.
  3. Backup diferencial: Semelhante ao backup incremental, o backup diferencial faz uma cópia dos dados que foram alterados desde o último backup completo. Ele ocupa mais espaço de armazenamento do que o backup incremental, mas a restauração dos dados é mais rápida, pois só é necessário o último backup completo e o último backup diferencial.
Tipos de backup completo diferencial e incremental
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Boas práticas na política de backup

Segundo o relatório “Tendências em Proteção de Dados em 2023” da Veeam, é evidente uma insatisfação por parte das equipes de cibersegurança e tecnologia da informação em relação às soluções de backup. De acordo com o estudo, 57% dos entrevistados expressaram a intenção de mudar suas soluções de backup, enquanto apenas 8% demonstraram um alto grau de comprometimento com seus métodos atuais.

Quando questionadas sobre os motivos que as levariam a buscar uma nova solução de backup, a confiabilidade foi apontada como o motivo mais comum e também o mais importante. Esses resultados enfatizam a importância de garantir a confiabilidade dos sistemas de backup para atender às demandas crescentes das equipes de TI e cibersegurança.
Por isso, as rotinas de backup são fundamentais para a segurança dos dados, e a implementação de boas práticas pode fazer uma grande diferença na eficácia desses processos. Abaixo, listamos alguns pontos importantes:

1 – Snapshots

A virtualização trouxe a capacidade de realizar “snapshots”, que são como fotografias instantâneas de uma máquina virtual em um determinado momento. Rocha, destaca: “É importante que você faça um discovery da sua estrutura de backup, entenda se você realmente está com os backups corretos, faça esse backup do snapshot, da virtualização, porque isso vai ser rápido para você.”

2 – Velocidade na criação de backups

A velocidade de backup e restauração tornou- se uma consideração crítica no mundo acelerado dos negócios modernos. As empresas precisam ser capazes de fazer backups rapidamente, geralmente dentro de uma janela de um dia, sem interromper as operações do negócio. Além disso,  é importante manter a capacidade de restaurar esses dados rapidamente, caso ocorra alguma perda.

“Eu tenho o backup dos dados em si, do meu banco de dados, entre outros ambientes que eu preciso, sim, ter uma solução de backup rápida, que consiga copiar todas as informações que eu preciso rapidamente, geralmente dentro de um dia, e também preciso da disponibilidade desta informação para fazer a restauração.” – André Rocha.

A fim de atender a necessidade de velocidade, muitas empresas investiram em tecnologias de disco de alta velocidade para backup e restauração. Esses sistemas permitem backups e restaurações muito mais rápidos, facilitando a retenção e a recuperação de dados. Como resultado, métodos mais antigos e mais lentos, como o backup em fita, estão sendo gradualmente eliminados.

3 – Diversificação de backups

Em um mundo cada vez mais digital, o risco de perda de dados é uma preocupação constante para as empresas. Depender de um único método de backup, como um dispositivo físico, pode ser perigoso. 

Imagine um cenário em que um ataque cibernético criptografa seus servidores e, em seguida, compromete seu único dispositivo de backup. Nessa situação, recuperar seus dados se tornaria um desafio quase intransponível.

“Às vezes, as pessoas acham que ao colocarem algo na nuvem, todos os seus problemas estarão resolvidos. Depende. Porque dependendo do serviço, seja IaaS, PaaS ou SaaS, a responsabilidade sobre manutenção, backups e atualizações varia. É importante fazer a escolha correta na utilização da nuvem.” – André Rocha.

Para mitigar esses riscos, é crucial garantir a segurança dos backups contra possíveis ataques e vazamentos de informações. Uma estratégia diversificada pode incluir soluções offline, como backups em fita, ou até soluções online, como os backups em nuvem. 

Apesar dos backups em fita serem mais lentos para restaurar, eles oferecem a vantagem de serem inacessíveis para invasores online. Por outro lado, os backups em nuvem são potencialmente mais vulneráveis a ataques, já que podem ser acessados fora do ambiente da empresa.

4 – Monitoramento do tráfego

As soluções de backup modernas estão cada vez mais sofisticadas para proteger contra ataques. Algumas, por exemplo, monitoram o tráfego de dados durante todo o processo. Se um código malicioso é detectado durante a transferência de dados, a solução interrompe a operação, evitando que o código malicioso infecte o backup.

“Atualmente, existem soluções surgindo que protegem o seu backup contra um ataque. Ou seja, (…) você tem um appliance de backup que está recebendo todas as cópias, e aí você tem uma outra solução do lado que está olhando para as questões relacionadas a código malicioso.” – André Rocha

5 – Testes Regulares

Mesmo com essas medidas de segurança avançadas, uma parte crítica do gerenciamento de backup ainda é o teste regular. Fazer backup de dados é uma prática comum, mas muitas empresas negligenciam a etapa crucial de testar a restauração desses dados. Sem testes regulares, as empresas podem descobrir tarde demais que seus backups não contêm todas as informações necessárias ou que a política de backup não atende às demandas da empresa.

“Outra coisa importante é fazer teste. Todo mundo faz backup, mas ninguém faz restore, para ver. ‘Essa política de backup que eu criei, atende a demanda da minha empresa? Eu realmente estou fazendo backup das informações que eu preciso caso eu seja atacado?’” Léo Feijó

Rocha também enfatiza: “Eu preciso ter um bom backup, eu preciso testar o meu backup, porque se eu tiver um incidente de ransomware e, de certa forma, os meus dados foram criptografados, eu tenho um backup. Eu consigo voltar? Quanto tempo eu levo para voltar ao meu backup, e voltar a operação?” 

Conclusão: qual rotina de backup é a melhor?

A retenção e a recuperação de dados é uma dança complexa entre as exigências legais, as necessidades práticas e as capacidades tecnológicas. Para manter o ritmo, as empresas devem adotar uma abordagem estratégica, considerando cuidadosamente suas necessidades e investindo em tecnologias que permitam backups e restaurações rápidas. A retenção e a recuperação de dados podem parecer uma tarefa árdua, mas com a estratégia correta, podem se tornar uma melodia harmoniosa de continuidade e segurança dos negócios.

“Já vi situações em que a empresa acreditava que o backup estava sendo feito pelo provedor de nuvem, mas na verdade a responsabilidade era da própria empresa. Portanto, é fundamental entender bem os termos do serviço escolhido.” – André Rocha

Garantir a resiliência dos dados em um ambiente de negócios moderno requer uma abordagem multifacetada. As empresas devem adotar uma estratégia diversificada de backup, investir em soluções de backup avançadas e realizar testes regulares de recuperação de dados. Com essas medidas em prática, as empresas podem estar confiantes de que estão preparadas para enfrentar os desafios do gerenciamento de dados no mundo digital de hoje.

Erika Rodrigues
Erika Rodrigues
Sou repórter e redatora no Itshow. Já produzi diversas matérias como jovem repórter do Núcleo de Jornalismo Investigativo da Record TV, onde também fiz parte da equipe de apuração da Agência Record, abastecendo os principais jornais da casa, além do portal R7. Com dedicação e comprometimento, estou sempre em busca de novos desafios e oportunidades de crescimento em carreira.
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