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quinta-feira, junho 20, 2024
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A Ilusão da Precisão: Os Limites da Medição de Risco em Segurança Cibernética

Será que tudo é mensurável? Embora seja comum acreditar que sim, a realidade enfrentada pelos profissionais de segurança cibernética é bem diferente. Na recente apresentação na RSA Conference, Andy Ellis, Advisory CISO da Orca Security e Operating Partner da YL Ventures, desafiou essa premissa, provocando uma reflexão importante sobre como abordamos o risco nos ambientes corporativos.

Quando Medir Não é Possível

Andy Ellis abriu sua apresentação com um exemplo lúdico envolvendo um dado de vinte lados para ilustrar como, apesar das aparências, nem todos os riscos são quantificáveis. Ele argumentou que muitos dos riscos que enfrentamos são complexos demais para serem encapsulados por um simples número ou probabilidade. Este conceito é crucial para os CISOs e outros profissionais de segurança, que muitas vezes se veem pressionados a fornecer métricas e análises quantitativas detalhadas.

Neste cenário, Ellis destacou a importância de reconhecer os limites da quantificação. A incerteza é uma constante no campo da segurança cibernética, e o uso exclusivo de métodos quantitativos pode levar a uma falsa sensação de controle. Ellis sugeriu que os profissionais de segurança devem, portanto, combinar abordagens quantitativas com qualitativas para obter uma visão mais realista dos riscos.

O CISO da Orca Security também discutiu como os modelos de risco precisam ser adaptáveis e sensíveis ao contexto de cada organização. Em muitos casos, a tentativa de aplicar um modelo universal pode não capturar as nuances específicas de cada cenário de risco, resultando em estratégias de mitigação ineficazes.

A Complexidade dos Riscos em Segurança Cibernética

Ao longo de sua fala, Ellis explorou diferentes categorias de riscos, desde vulnerabilidades de configuração até ameaças internas e estados-nação. Ele destacou que a segurança cibernética não se trata apenas de prever perdas ou incidentes, mas de entender um espectro amplo de possíveis ameaças e como elas podem afetar de maneira distinta cada organização.

Além de identificar as ameaças, Ellis salientou a importância de entender as implicações desses riscos. Por exemplo, uma vulnerabilidade em um sistema pode ter um impacto muito diferente dependendo de como esse sistema é usado dentro da organização. Este entendimento ajuda a priorizar esforços e recursos de forma mais eficiente.

Ele também enfatizou que os riscos evoluem constantemente e que as organizações precisam de estratégias dinâmicas para acompanhar as mudanças no ambiente de ameaças. A capacidade de adaptar e responder rapidamente é tão importante quanto a habilidade de prever e preparar-se para riscos potenciais.

A Abordagem Qualitativa do Risco

Em um ponto crucial de sua apresentação, Ellis enfatizou a importância de uma abordagem qualitativa para a gestão de riscos. Ele discutiu como a comunicação sobre riscos deve evoluir para além dos números, focando em como os riscos se alinham com os objetivos e capacidades da organização. Essa perspectiva é essencial para criar uma cultura de segurança que sustente práticas resilientes e adaptativas frente às ameaças emergentes.

Ellis propôs que, ao invés de se concentrar unicamente em estatísticas, os líderes de segurança devem cultivar uma compreensão profunda das histórias por trás dos dados. Isso inclui entender as motivações dos atores de ameaças, o impacto potencial de um incidente de segurança e como isso afeta os objetivos estratégicos da empresa.

Finalmente, ele alertou para o perigo de se tornar complacente com os modelos de risco existentes. Constantemente questionar e revisar abordagens de gestão de risco é fundamental para manter a relevância e eficácia das estratégias de segurança em um mundo em rápida mudança.

Segurança Cibernética: Uma Arte e Uma Ciência

No contexto atual, onde as ameaças cibernéticas são tanto variadas quanto sofisticadas, a segurança cibernética exige uma abordagem que vá além do convencional. Ellis ressaltou que, enquanto algumas organizações se concentram em soluções baseadas puramente em tecnologia, a verdadeira segurança vem de uma compreensão holística do ambiente de ameaças.

A gestão de riscos, portanto, não deve ser vista apenas como uma série de cálculos ou políticas, mas como uma estrutura integrada que envolve educação, treinamento e uma cultura de segurança robusta. Isso significa que os profissionais de segurança precisam ser tanto educadores quanto técnicos, capazes de traduzir complexidades técnicas em decisões estratégicas que alinhem segurança com os objetivos de negócios.

Adotar essa visão mais ampla permite que as organizações se preparem não apenas para os riscos conhecidos, mas também para aqueles que são difíceis de prever. Em última análise, a segurança cibernética eficaz é aquela que pode adaptar e evoluir em resposta ao ambiente em constante mudança, protegendo os ativos mais críticos de uma organização.

A apresentação de Andy Ellis foi um lembrete poderoso de que, no mundo da segurança cibernética, nem tudo que conta pode ser contado. A capacidade de entender e comunicar riscos de forma eficaz sem depender exclusivamente de métricas quantitativas é uma habilidade vital para os líderes de segurança de hoje.

Em nossa busca por clareza, às vezes, a resposta não está nos números, mas na compreensão profunda dos cenários de risco que enfrentamos. Assim, enquanto navegamos por esta era digital complexa, devemos lembrar que a gestão de riscos é tanto uma arte quanto uma ciência. As lições de Ellis ressoam como um chamado à ação para abordar a segurança cibernética com uma mente aberta e adaptativa, pronta para além das métricas e focada em soluções reais e contextualizadas.

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Allex Amorim
Allex Amorimhttp://www.allexamorim.com.br/
Mais de 20 anos de experiência em diversos setores, especializando-se em Tecnologia, LGPD e Segurança da Informação. Desenvolveu e executou planos de segurança, gerenciou crises e equipes multidisciplinares, além de atuar como conselheiro consultivo. Escreveu sobre segurança e inovação, utilizou metodologias ágeis e dominou a gestão de equipes em ambientes complexos, destacando-se pela capacidade analítica, liderança, e habilidade em promover a colaboração e adaptabilidade.
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