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quarta-feira, fevereiro 21, 2024
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Guerra cibernética: 5 práticas que vão fortalecer a cibersegurança da sua empresa

À medida que avançamos na era da tecnologia, encontramos um paradoxo intrigante: quanto mais dependemos da tecnologia, mais vulneráveis nos tornamos a riscos cibernéticos. Este cenário é evidenciado em exemplos cotidianos, como os veículos modernos equipados com uma série de funcionalidades digitais. Imagine o caos se um hacker conseguisse violar a segurança e controlar um desses veículos avançados. 

Essa preocupação é compartilhada por especialistas, como Leandro Ribeiro, Gerente de Segurança da Informação no Hospital Sírio-Libanês e convidado do 17º episódio do podcast Itshow, que destaca: “Desde 2006, tenho focado no mundo da cibersegurança e considero extremamente importantes as questões de proteção de dados e segurança como um todo. Em 2017, o ataque do WannaCry foi um divisor de águas e mostrou que as empresas realmente não estavam preparadas. Isso foi uma guerra fria e escondida que continua até hoje, transformando-se em uma guerra cibernética.”

No Brasil, um país de tradição pacifista, a necessidade de uma defesa cibernética robusta é clara. O país entende que, mesmo sem uma postura militar agressiva, a guerra cibernética é um campo de batalha indispensável no século 21. Esta batalha não se limita ao aprimoramento de hardware e software; ela requer também um foco intensivo na capacitação de profissionais. 

guerra cibernética
Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

Como Ribeiro aponta, o principal objetivo dos criminosos cibernéticos é atacar a infraestrutura crítica – aeroportos, bancos, hospitais – para indisponibilizar o acesso às pessoas. Da mesma forma, em outras partes do mundo, como nos EUA, a segurança cibernética é levada a sério em todos os setores, desde a proteção do veículo presidencial até a segurança dos carros de Fórmula 1. 

Esses exemplos sublinham um ponto importante: no contexto atual, a segurança cibernética não é uma opção, mas uma necessidade imprescindível em diversas esferas da sociedade, exigindo atenção constante e investimentos significativos.

O que é uma guerra cibernética

A guerra cibernética, também conhecida como ciberguerra, representa uma nova era no campo dos conflitos globais, caracterizada pelo uso de tecnologias digitais para executar e defender contra ataques em ambientes virtuais. Este tipo de guerra marca uma evolução das estratégias de combate, onde além das tradicionais batalhas físicas, os países agora se enfrentam em cenários digitais. 

Utilizando métodos como espionagem, sabotagem, e infiltração, estas operações cibernéticas podem causar danos significativos a alvos inimigos, sem necessariamente envolver confrontos físicos diretos. O desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação ampliou o alcance e a eficácia desses métodos, que agora são empregados em um contexto digital.

Ouça agora o episódio 17 do podcast Itshow disponível no Spotify!

Países como Estados Unidos, Reino Unido, China, Irã, Israel e Coreia do Norte, por exemplo, possuem capacidades ativas para realizar operações cibernéticas tanto ofensivas quanto defensivas. Essas estratégias são, em sua maioria, utilizadas para prevenir confrontos físicos, mas ao mesmo tempo carregam o potencial de intensificar os conflitos, gerando um paradoxo dentro do conceito de guerra cibernética. 

Apesar de ainda haver debates sobre a definição precisa do termo, a realidade é que esses métodos estão sendo cada vez mais adotados globalmente. Assim como um espião poderia sabotar armas em um acampamento inimigo, hoje, hackers e especialistas em guerra cibernética são capazes de desativar sistemas de radar ou outras infraestruturas críticas através de ataques digitais, exemplificando a natureza e a importância crescente da guerra cibernética no cenário mundial contemporâneo.

Cyberwarfare, cyberwar e ciberataques: quais as diferenças

Cyberwarfare e cyberwar são termos que normalmente se confundem, mas possuem diferenças sutis em seu uso e implicações. 

Cyberwarfare

O cyberwarfare se refere a um conjunto mais amplo de táticas, técnicas e estratégias empregadas na guerra cibernética, não necessariamente atreladas às escalas, aos efeitos, aos danos ou à violência associados ao termo “guerra”. 

Portanto, o cyberwarfare pode abranger uma variedade de atividades cibernéticas que podem ser utilizadas em contextos de conflito cibernético, sem implicar diretamente em um confronto aberto ou em grande escala. 

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Cyberwar

Por outro lado, cyberwar (ou ciberguerra) é um termo mais específico, utilizado para descrever conflitos cibernéticos diretos entre nações rivais. Apesar de a história não registrar até o momento um conflito cibernético em grande escala entre países, o termo ciberguerra é usado para referir-se a ações menores, muitas vezes conduzidas por agentes ligados a governos ou operando de maneira independente.

Ciberataques

Já os ciberataques são uma categoria mais ampla que engloba qualquer forma de ataque cibernético, independente de estar ou não associado a um contexto de guerra cibernética. Ciberataques podem ser realizados por uma variedade de atores, incluindo estados, organizações criminosas, indivíduos independentes ou até cibercriminosos com motivações diversas. 

Enquanto toda guerra cibernética envolve ciberataques, nem todo ciberataque faz parte de um conflito de cyberwarfare ou cyberwar. Ciberataques podem variar desde ações simples de golpistas online até operações sofisticadas conduzidas por entidades governamentais, abrangendo uma gama extensa de atividades virtuais que podem ou não ter ligações diretas com objetivos estratégicos de um governo ou de uma guerra cibernética.

Tipos de ataques cibernéticos

Os ataques em uma guerra cibernética abrangem uma gama variada de técnicas e estratégias hacker, que podem variar em complexidade e impacto. Em um nível mais básico, ataques como o de negação de serviço (DDoS) são comuns, onde um grande número de máquinas é utilizado para sobrecarregar um site específico, incapacitando o servidor e derrubando o serviço. 

Em um contexto de guerra cibernética, esse tipo de ataque poderia ser usado para interromper canais de comunicação governamentais, causando desinformação ou impedindo o acesso do público a informações críticas sobre o conflito ou situações de emergência.

Outra forma de ataque cibernético em contextos de guerra é a disseminação de desinformação, utilizando notícias falsas e rumores para causar confusão, aumentar a tensão e desorganizar esforços de evacuação. Essas ações podem também minar a confiança do público nas autoridades, afetando o suporte à defesa nacional. 

guerra cibernética
Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

Além disso, ações cibernéticas podem focar em extrair informações sensíveis do governo oponente, proporcionando vantagens estratégicas significativas para o avanço do conflito ou negociações de paz. 

Alguns ataques mais graves podem visar a infraestrutura crítica de um país, como redes de distribuição de energia, desligando o fornecimento de eletricidade, o que pode criar pressão sobre a população e enfraquecer as forças militares adversárias. 

Alvos adicionais podem incluir serviços essenciais como mercados financeiros, distribuição de água potável, telecomunicações e segurança pública, demonstrando o potencial destrutivo e paralisante de ataques cibernéticos em larga escala.

Exemplos de guerras cibernéticas

Ataque ao Google China

Em 2010, o Google China sofreu um ataque cibernético grave que comprometeu as contas de e-mail de ativistas de direitos humanos, além de acessar códigos internos da empresa. Embora os autores do ataque não tenham sido oficialmente identificados, suspeita-se de envolvimento de agentes de segurança chineses interessados em monitorar opositores do governo. Este incidente realça a vulnerabilidade das grandes corporações tecnológicas frente a ataques cibernéticos estrategicamente direcionados.

Ataques promovidos pela Rússia

Outro exemplo importante de guerra cibernética ocorreu em 2007, quando a Estônia enfrentou uma série de ataques de negação de serviço, acredita-se que em retaliação à remoção de uma estátua soviética em Tallinn. 

A Rússia também é suspeita de envolvimento em ataques cibernéticos durante o conflito com a Geórgia em 2008, que, apesar do baixo impacto devido à limitada conectividade do país, é considerado por muitos como a primeira guerra híbrida da história. 

O malware Stuxnet que atacou o desenvolvimento nuclear do Irã

Além disso, em 2010, o malware Stuxnet chamou a atenção mundial ao danificar centrífugas de enriquecimento de urânio do programa nuclear iraniano, em uma operação que acredita-se ter sido conduzida pelos Estados Unidos e Israel, como parte de uma estratégia mais ampla para retardar o desenvolvimento nuclear do Irã. 

Esses episódios ilustram o crescente papel das operações cibernéticas em conflitos geopolíticos e a capacidade de nações e organizações de empregar táticas cibernéticas avançadas para atingir objetivos estratégicos.

5 passos para proteger a sua empresa em uma guerra cibernética

1. Avaliação de risco

O primeiro passo na defesa contra uma guerra cibernética é realizar uma avaliação criteriosa dos riscos enfrentados pela sua empresa. Isso envolve identificar as ameaças específicas, potenciais agressores e o impacto que um ataque cibernético poderia ter sobre os negócios. Com essas informações em mãos, é possível formular uma estratégia abrangente para fortalecer as defesas da empresa.

2. Estratégia de segurança cibernética

Após a avaliação dos riscos, o próximo passo é desenvolver uma estratégia de segurança cibernética. Essa estratégia deve cobrir todos os aspectos da segurança digital, incluindo medidas preventivas, detecção de ameaças e respostas a incidentes. É fundamental que essa estratégia contemple também um plano de ação para o caso de um ataque ser bem-sucedido.

3. Capacitação da equipe

Uma das maiores linhas de defesa contra ataques cibernéticos é uma equipe bem treinada. É vital que os funcionários estejam conscientes dos riscos e saibam como identificar e reagir a ameaças cibernéticas. Isso inclui práticas como o uso de senhas seguras, manutenção de softwares atualizados e a observância de princípios básicos de segurança digital.

4. Monitoramento da rede

O monitoramento contínuo da rede da empresa é essencial para identificar atividades suspeitas. Utilizar ferramentas de monitoramento de rede e analisar os registros de servidor são ações fundamentais para detectar ameaças potenciais. Diante de qualquer sinal de atividade anormal, uma resposta rápida é primordial para reduzir os danos.

5. Plano de contingência

Por fim, é importante ter um plano de contingência para o caso de um ataque cibernético. Esse plano deve incluir procedimentos para isolar e desativar sistemas comprometidos, comunicar-se efetivamente com a equipe e as partes interessadas e buscar a assistência de especialistas em segurança cibernética para solucionar a questão e recuperar os sistemas afetados.

A importância da segurança cibernética na infraestrutura das empresas 

Em um cenário onde a tecnologia se integra cada vez mais ao nosso cotidiano, as ameaças cibernéticas se tornam mais sofisticadas e potencialmente devastadoras. Incidentes como os ataques ao Google na China e as ofensivas cibernéticas da Rússia contra outros países evidenciam como as empresas podem ser vulneráveis a essas ameaças. O caso do malware Stuxnet, por exemplo, destaca o risco de ataques dirigidos a infraestruturas críticas e sistemas essenciais.

Para as empresas, a adoção de uma estratégia de segurança cibernética robusta é essencial. Esta estratégia deve englobar a avaliação detalhada de riscos, desenvolvimento de planos de segurança abrangentes, capacitação e conscientização contínua das equipes, monitoramento rigoroso das redes e preparação de planos de contingência eficazes. Tais medidas são essenciais para mitigar o risco de interrupções operacionais e proteger os dados e ativos valiosos. 

A segurança cibernética, portanto, não é apenas uma medida preventiva, mas uma necessidade que requer uma abordagem meticulosa e investimentos estratégicos para combater a crescente onda de ameaças digitais.

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Fernanda Martins
Fernanda Martins
Formada em Letras, com pós em mídias sociais, e redatora do portal de notícias Itshow. Já escreveu para vários blogs de cultura pop, produziu conteúdo no Facebook e no Instagram sobre literatura e até escreveu algumas fanfics pela internet. Hoje, se especializa em redação e usa suas habilidades de escrita crítica e literária para trazer mais sensibilidade aos textos e continuar fazendo o que ama.
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