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terça-feira, abril 16, 2024
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Zero Trust: Rumo à Segurança Sem Fronteiras

No mundo digital, onde as organizações desenvolvem aplicações de todos os tipos, desde soluções para otimização e melhoria de processos, integrações diversas com toda cadeia de suprimentos, parceiros, fornecedores e, obviamente, clientes, as ameaças cibernéticas estão em constante evolução.

A segurança da informação tornou-se uma preocupação primordial para empresas de todos os tamanhos, setores e estágios de evolução. Perante um cenário de cibersegurança cada vez mais desafiante e competitivo, o conceito de Zero Trust surgiu como uma abordagem que visa salvaguardar os ativos digitais e mitigar os riscos de segurança.

Como muitos já conhecem o conceito, essa abordagem define um modelo onde não se deve confiar automaticamente em nenhum usuário ou dispositivo, mesmo que esteja dentro da rede corporativa, exigindo que todas as atividades e acessos sejam verificados e validados constantemente, garantindo que apenas usuários autorizados tenham acesso aos recursos necessários.

Neste artigo, exploraremos o estágio atual de implementação nas empresas brasileiras, os caminhos para definir um projeto de implementação, e os cinco passos básicos para adotar esse modelo de segurança.

Estágio Atual da Implementação do Zero Trust no Brasil

Observando as empresas brasileiras, a adoção do framework Zero Trust está em seus estágios iniciais. Embora boa parte das organizações tenham reconhecido a importância de repensar suas abordagens de segurança, a implementação completa do Zero Trust ainda não atingiu números expressivos.

Conforme o estudo global “Cisco Security Outcomes 2023 para Zero Trust: Tendências de Adoção, Acesso e Automação”, 86.5% das organizações afirmam ter iniciado sua jornada em direção ao Zero Trust. No mesmo estudo, apenas 2% das empresas são consideradas totalmente maduras para a adoção.

No Brasil, 27.6% das companhias afirmam estar completamente preparadas para Zero Trust, porém quando se trata de autenticação com duplo fator, o percentual de empresas que se dizem preparadas cai para 24.9%.

Há grande consciência de CISOs e CIOs que o framework deve ser adotado, porém, muitos entendem que a dificuldade de implementação é um grande obstáculo a ser superado, pois ainda não encontraram o caminho ou respostas que desejam para alavancar a implementação.

Entre as dúvidas mais comuns estão a reconfiguração de políticas de acesso, identificação de como os dados confidenciais se movem pela rede, falta de entendimento abrangente de como o framework deve ser implementado, concorrência de outras prioridades e crenças ou receios de que o Zero Trust pode prejudicar a produtividade dos negócios pelo impacto nos colaboradores. Os colaboradores podem resistir à adoção do Zero Trust devido a esses receios.

Muitas empresas enfrentam desafios, como a necessidade de atualização de infraestrutura de TI e a falta de conscientização sobre os benefícios do Zero Trust. No entanto, à medida que as ameaças cibernéticas continuam a aumentar, espera-se que mais empresas brasileiras adotem essa abordagem de segurança nos próximos anos.

Existem diferentes caminhos para a definição de um projeto para implementação do framework Zero Trust em uma organização, porém todos eles incluem a avaliação e aprimoramento contínuos das medidas de segurança adotadas. Abaixo temos a sugestão de um destes caminhos.

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Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

O projeto Zero Trust

Para definir um projeto de implementação Zero Trust, as organizações podem seguir alguns passos essenciais, porém, dependendo do tamanho e complexidade do ambiente de cada organização, estes passos podem também exigir maior complexidade.

A sequência sugerida contempla etapas de avaliação da infraestrutura atual, entendimento do fluxo de dados, conhecimento da estrutura da rede e existência prévia de políticas de controle definidas.

Após a avaliação da infraestrutura atual, é importante realizar uma análise detalhada do fluxo de dados dentro da organização, identificando possíveis vulnerabilidades e pontos de acesso suscetíveis a ataques.

Além disso, é essencial compreender a estrutura da rede e como os dispositivos estão interconectados, a fim de implementar medidas de controle mais eficazes. Por fim, é fundamental verificar se já existem políticas de controle de acesso e segurança definidas, para garantir uma transição mais suave para o modelo Zero Trust.

Este processo contínuo de avaliação e aprimoramento é essencial para garantir a proteção dos dados e sistemas da organização. Assim sendo, a sequência de passos seria:

  1. Avaliação da Infraestrutura Existente: Identificar e avaliar os ativos de TI existentes, incluindo redes, dispositivos, e aplicativos, para entender os pontos fracos e as áreas que requerem melhorias;
  2. Reavaliação da Confiança Implícita: Abandone a mentalidade de “confiança, mas verificação” e adote uma abordagem de “nunca confie, sempre verifique”;
  3. Mapeamento de Fluxos de Dados: Analisar e mapear os fluxos de dados dentro da organização, identificando quem tem acesso a quais recursos e como esses acessos são controlados;
  4. Segmentação da Rede: Implementar a segmentação da rede para dividir os sistemas em zonas de confiança mínima, restringindo o acesso apenas ao necessário para minimizar o impacto de uma violação de segurança;
  5. Implementação de Controles de Acesso Baseados em Políticas: Estabelecer políticas de controle de acesso granulares que concedam permissões com base na identidade, contexto e comportamento do usuário;
  6. Identificação e Autenticação Rigorosas: Implemente autenticação multifatorial (MFA) e outras medidas rigorosas de identificação para verificar a identidade de usuários e dispositivos;
  7. Educação e Conscientização dos Usuários: Eduque os funcionários sobre os princípios do Zero Trust e promova uma cultura de segurança cibernética em toda a organização;
  8. Monitoramento Contínuo e Análise de Anomalias: Implementar ferramentas de monitoramento contínuo e análise de comportamento para detectar e responder rapidamente a atividades suspeitas dentro da rede.

O framework Zero Trust representa uma abordagem fundamentalmente diferente para a segurança cibernética, baseada na premissa de que nada deve ser confiável por padrão. Embora sua implementação possa exigir mudanças significativas na infraestrutura e na cultura organizacional, os benefícios de uma postura de segurança mais proativa e adaptável fazem valer a pena o investimento.

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Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

A implementação

O modelo Zero Trust é uma estratégia de segurança que se baseia no princípio “nunca confie, sempre verifique”. Nenhum dispositivo ou usuário será considerado confiável, independentemente de estar dentro ou fora da rede da organização.

Conforme o NIST (National Institute of Standards and Technology), existem alguns passos recomendados para a implementação do framework em uma organização, são eles:

  1. Considere todas as fontes de dados e serviços de computação como recursos: Isso é crucial para empregar o Zero Trust. Avalie todos os ativos e recursos da sua organização, incluindo dados e serviços, como parte do processo de implementação. É importante realizar uma avaliação abrangente e considerar todos os aspectos da organização ao implementar o framework.
  2. Proteja toda a comunicação, independentemente da localização da rede: Implemente criptografia e autenticação rigorosa para garantir que todas as comunicações sejam seguras, independentemente de estarem dentro ou fora da rede corporativa. Não deixe brechas de segurança que possam comprometer a integridade dos dados.
  3. Conceda acesso a recursos corporativos individualmente por sessão: Em vez de conceder acesso amplo, adote uma abordagem granular. Verifique a identidade e a postura de segurança de cada usuário antes de conceder acesso a recursos específicos. Certifique-se de que apenas os usuários autorizados tenham acesso aos dados sensíveis. Certifique-se de que os níveis de acesso sejam apropriados para cada indivíduo.
  4. Determine o acesso aos recursos com base em políticas dinâmicas: As políticas de acesso devem ser adaptáveis e baseadas em contexto. Considere fatores como identidade, localização, dispositivo e comportamento para tomar decisões de acesso. Comparar histórico de acessos de um usuário para avaliar a validade da solicitação de acesso em tempo real é um passo de avaliação de comportamento importante e deve compor suas regras de permissão. A análise do histórico de acessos pode ajudar a identificar padrões de comportamento suspeitos ou não usuais.
  5. Monitore periodicamente a integridade e postura de segurança de todos os ativos. Mantenha uma visão contínua da postura de segurança da sua organização. Isso envolve monitorar identidades, dispositivos e tráfego de rede para detectar possíveis ameaças e anomalias.

Lembre-se de que esses passos representam uma situação ideal, e você pode adaptá-los conforme necessário para a estratégia específica da sua organização.

Concluindo, é essencial implementar medidas de segurança proativas e preventivas para proteger os ativos da empresa de possíveis ameaças cibernéticas. Além disso, é importante manter-se atualizado sobre as melhores práticas de segurança da informação e investir em treinamento para conscientizar os funcionários sobre os riscos de segurança cibernética.

Ao seguir essas diretrizes e adaptá-las às necessidades específicas da organização, é possível fortalecer a postura de segurança e minimizar os riscos de ataques cibernéticos.

Helder Ferrão
Helder Ferrão
Ampla experiência em tecnologia atuando como executivo por mais de 30 anos. Executivo com alta capacidade de análise de oportunidades de negócio e desenvolvimento de processos que sustentem a relação de parceria e qualidade com clientes e parceiros. Atividades desenvolvidas em diferentes áreas, como: Tecnologia, Serviços, Vendas e Desenvolvimento de Negócios, Operações e Gerência de Produtos.
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