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Monetização de API: 4 passos para monetizar sua API e aumentar a receita da sua empresa

A tecnologia nos proporcionou um mar de oportunidades sem precedentes para inovação e crescimento. Nesse contexto, empresas ao redor do mundo têm se esforçado para identificar e explorar seu próprio potencial – um desafio que pode ser facilitado pela implementação e utilização de APIs estruturadas. Uma empresa muitas vezes não está ciente de todo o conhecimento e funcionalidades que possui, e não consegue discernir as oportunidades que estão ocultas dentro de seus próprios domínios. 

Um exemplo clássico de transformação interna de funcionalidades em produtos rentáveis é o Google. A gigante da tecnologia desenvolveu o Google Maps, um recurso de mapeamento robusto que alimenta não apenas a empresa, mas também uma variedade de outras organizações através das APIs que o Google fornece. Essas APIs permitem que empresas externas acessem funcionalidades como geolocalização e busca de endereços, transformando assim um recurso interno em um produto comercializável.

A conversão de funcionalidades internas em APIs estruturadas é uma maneira eficaz de transformar custos em potenciais receitas. Mas quando o assunto é monetização de dados, uma abordagem responsável e eficaz deve ser mantida. Embora vender dados de clientes possa parecer um caminho fácil para gerar receitas, existem barreiras consideráveis relacionadas à privacidade e ao compliance que podem impedi-lo. 

Em entrevista ao podcast Itshow, Thoran Rodrigues, fundador e CEO da Big Data Corp, esclareceu alguns pontos importantes sobre a monetização de APIs e deu dicas preciosas de como as empresas podem aumentar suas receitas através dessa ferramenta que vem ganhando cada vez mais espaço no meio digital.

Como funciona a monetização de API

No cenário corporativo contemporâneo, observa-se um aumento significativo de modelos de negócio focados em APIs, que têm como principal função expor seus serviços. As APIs, ou Interfaces de Programação de Aplicações, facilitam a criação de ecossistemas com organizações parceiras, impulsionam novos projetos, abrem canais de venda e estabelecem novas fontes de valor através da troca de dados entre entidades empresariais.

mão segurando um tablet conectado na internet
Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

Monetizar APIs refere-se ao processo pelo qual empresas obtêm lucro ao permitir que usuários acessem e integrem seus dados a outras plataformas, sejam elas privadas ou públicas. Rodrigues menciona que “empresas muitas vezes não percebem o valor intrínseco de suas funcionalidades internas.” Ao abordar a potencialidade das APIs, ele aponta a possibilidade de transformar funcionalidades internas em oportunidades e produtos para o mercado.

Antes de avançar nessa direção, é importante ter um modelo de negócio sólido e estratégias bem definidas para o gerenciamento de APIs, uma vez que a gestão eficaz é o alicerce para atingir objetivos de monetização e governança. Vale ressaltar que a monetização não se limita apenas ao lucro direto: manter as APIs funcionando adequadamente pode gerar valor de formas diversas, como através de insights transacionais que potencializam os negócios dos parceiros, sempre alinhados a uma plataforma omni-channel.

Como obter sucesso na monetização de API

Para uma empresa monetizar eficientemente suas APIs, é preciso ter uma estratégia bem desenvolvida. Iniciar um plano de monetização logo no início é bom, mas, antes de mergulhar totalmente nisso, as empresas devem garantir que suas APIs sejam priorizadas, bem projetadas e fáceis de compreender. Uma API mal planejada ou difícil de usar não atrai desenvolvedores e empresas, tornando-a não-lucrativa.

Alcançar sucesso na economia das APIs requer uma profunda compreensão de como os dados são valiosos para os usuários e como eles podem gerar lucros. A exposição adequada da API é essencial para garantir o consumo e entendimento de seu valor para nichos específicos. Além disso, antes de adotar uma estratégia de monetização, é imperativo focar no mapeamento e mensuração das receitas da API e comparar esses lucros com os de clientes que não a utilizam. A monetização de APIs não segue um modelo único; portanto, as empresas devem estar abertas a experimentar e ajustar suas estratégias conforme necessário.

Grandes empresas que monetizam APIs

Segundo um estudo da Mckinsey, as APIs irão distribuir US$1 trilhão da economia existente pelos próximos anos. Por isso, as empresas modernas têm reconhecido essa monetização das APIs como uma ferramenta significativa e fonte de receita. Gigantes do setor digital como Amazon, Google, Facebook, Twitter e Netflix utilizam APIs para ampliar suas operações. Por exemplo, a Netflix, que começou apenas com assinaturas, mais tarde integrou sua plataforma a tecnologias emergentes, como Smart TVs.

A estratégia de monetização de APIs varia conforme o modelo de negócio. Algumas APIs podem ser mais lucrativas quando usadas diretamente, enquanto outras podem ser mais rentáveis quando empregadas para promoções gratuitas, direcionando o consumo de determinados produtos ou serviços. Dessa forma, as empresas devem entender qual modelo se adapta melhor à sua realidade. Um caso muito famoso é o eBay, que, até 2021, gerou mais de US$5 bilhões em receita através de suas APIs, lançadas inicialmente em 2015. A empresa creditou seu êxito ao modelo “Know Your Developer” (KYD). Este modelo segmenta as APIs em quatro categorias:

1. Sell APIs: voltadas para o usuário vendedor.

2. Buy APIs: permitem a parceiros selecionar produtos alinhados ao seu modelo de negócio, possibilitando transações transparentes.

3. Commerce APIs: abrangem funcionalidades para ambos, vendedores e compradores.

4. Developer APIs: se concentram em aspectos de integração, como limites de dados.

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Monetização de API: 4 passos para monetizar sua API e aumentar a receita da sua empresa 5

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O eBay sustenta que essa categorização foi essencial para definir claramente a proposta de valor em seus diferentes contextos de uso. A estrutura ajuda os vendedores a escolher a melhor categoria para seus produtos e fornece insights sobre promoções e definições. Contudo, essa abordagem é apenas uma das várias estratégias adotadas pela empresa.

Formas de cobrança

Cobre os desenvolvedores

Uma abordagem eficaz de monetização é cobrar pela API com base no uso, ao invés de fixar preços com base em limites predefinidos. Esse método garante que os desenvolvedores paguem apenas pelo que realmente utilizam, alinhando sua receita diretamente aos custos. Embora isso exija confiança, já que não há pagamentos antecipados, é possível estabelecer um limite de uso para clientes inadimplentes, impedindo-os de fazer mais chamadas até que os débitos sejam quitados. Esse modelo de cobrança é especialmente relevante para produtos centrados em APIs. Um exemplo dessa prática é a empresa Contentful, que fornece gestão de conteúdo via API e cobra com base em diferentes planos de uso.

Cobre os usuários finais

Uma estratégia eficaz para monetizar sua API é integrá-la aos planos de pagamento como um recurso adicional, disponível para certos usuários. Somente aqueles que optam por planos que incluem a API terão acesso a ela, permitindo que as empresas avaliem seu valor direto na monetização. A Salesforce exemplifica essa abordagem, incorporando o acesso à API não como um recurso independente, mas como parte de seus pacotes mais premium. Assim, os clientes precisam selecionar e investir no plano desejado para acessar a API.

Uso gratuito como estratégia para atrair a monetização de APIs

Neste modelo, o acesso à API é oferecido gratuitamente com o objetivo de incentivar os usuários a utilizar mais recursos do aplicativo, levando-os a planos pagos ou mais avançados. Ao disponibilizar a API sem custos, os desenvolvedores são estimulados a criar aplicativos e integrações baseadas nela, aumentando a interação com as ferramentas específicas da aplicação. O Dropbox, por exemplo, adota essa estratégia ao fornecer uso gratuito da sua API, incentivando os usuários a ocupar mais espaço de armazenamento e, eventualmente, migrar para um plano pago. Como resultado, os usuários interagem mais frequentemente e de maneira mais complexa com a plataforma, aumentando o engajamento e a probabilidade de optarem por planos mais robustos.

4 passos para uma monetização de API com sucesso

1 – Identifique suas prioridades

Para maximizar o valor gerado pelas APIs, é importante identificar e priorizar onde elas são mais efetivas. Através da análise da jornada do cliente, as empresas podem descobrir oportunidades significativas para implementação das APIs. Por exemplo, um banco montou uma equipe composta por profissionais de negócios e tecnologia, que identificou potenciais soluções baseadas no uso de API para problemas recorrentes dos clientes, como calculadoras avançadas e APIs de agregação de produtos. Após a identificação dessas oportunidades, priorizaram aquelas que proporcionariam um impacto imediato, aproveitando os recursos já existentes. 

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Para desenvolver e implantar estas APIs com sucesso, é essencial ter uma compreensão profunda do ambiente de dados, principalmente dos sistemas de back-end. Como Rodrigues observou, através da transformação de funcionalidades internas em APIs estruturadas, cria-se a chance de gerar oportunidades inéditas. Ao reconhecer as melhores oportunidades, os desenvolvedores podem determinar o número e o tipo de APIs necessárias. 

Ferramentas como matrizes de priorização auxiliam na seleção de APIs, considerando fatores como valor estratégico, complexidade de implementação e questões técnicas. Em determinadas situações, a colaboração com desenvolvedores externos, como a Apigee, pode ser benéfica. Vale ressaltar que o valor não se limita a inovações; APIs também podem aprimorar ou adicionar recursos a serviços já existentes.

2 – Gerencie a monetização

Para maximizar o valor de suas APIs, as empresas devem ter uma compreensão clara de sua implementação e estratégia de monetização. É vital decidir sobre o modelo de cobrança, avaliando o valor intrínseco dos dados e serviços, as possíveis fontes de receita e a disposição dos usuários em pagar. Opções de monetização comuns incluem “pagar pelo uso”, modelos de compartilhamento de receita e ofertas “freemium“. 

A identificação de como uma API pode fornecer um valor específico para variados grupos pode levar a colaborações vantajosas, como demonstrado pelo Waze e American Express em suas parcerias. Além disso, a implementação interna efetiva de APIs pode trazer uma economia operacional e acelerar o desenvolvimento, como evidenciado por um banco que usou uma biblioteca padronizada de APIs, reduzindo significativamente os custos de desenvolvimento e aumentando a frequência de lançamentos de produtos. As APIs, ao superar obstáculos entre sistemas e empresas, podem se mostrar como excelentes fontes de renda, muitas vezes, não percebidas na fase inicial de um projeto. 

3 – Crie uma governança de API centralizada

O uso otimizado de APIs demanda uma abordagem inovadora quanto às parcerias e à colaboração entre negócios e tecnologia. Segundo o pensamento de Rodrigues, transformando funcionalidades internas em APIs bem estruturadas, elas se tornam uma forma de inovação e transformação. 

Porém, essa abordagem acaba por exigir uma nova cadência em desenvolvimento, financiamento e coordenação, enquanto enfrenta desafios de privacidade e segurança de dados. Estabelecer uma governança centralizada, como um Centro de Excelência de API (CoE), é vital para monitorar o design e evolução da API em uma empresa. O CoE, munido de ferramentas avançadas, supervisiona o catálogo de APIs, evitando repetições, fomentando a reutilização e auxiliando os desenvolvedores. Um aspecto primordial é o estabelecimento de padrões e protocolos de segurança, garantindo uma autenticação robusta e um gerenciamento de riscos eficiente.

A atuação do CoE também engloba a gestão de investimentos. As empresas mais progressistas reservam fundos específicos para o desenvolvimento de APIs, mantendo a adaptabilidade para capitalizar novas ideias, conforme surgem. Além disso, centros de excelência pioneiros instauram hubs especializados para manter as relações com os desenvolvedores, demonstrando compromisso por meio de suporte contínuo e transparente. 

Por exemplo, quando um banco com uma plataforma de open banking oferece aos desenvolvedores insights valiosos sobre o uso da API e autenticação de alta segurança. Por fim, a equipe do CoE deve ser composta por líderes experientes, engenheiros de software habilidosos e “tradutores” que conectem necessidades comerciais a soluções técnicas.

4 – Otimize sua Estratégia de API

Para o sucesso de um programa de monetização de API, é essencial uma campanha de adoção estrategicamente gerenciada e uma gestão de desempenho consistente. Reiterando a perspectiva de Thoran Rodrigues, ao identificar o valor intrínseco e transformar funcionalidades internas em APIs, as empresas abrem portas para novas oportunidades e produtos no mercado.

As estratégias eficazes começam com testes iniciais junto a clientes e desenvolvedores, avançam para requisitos formais e, posteriormente, ampliam a adoção para alcançar um público maior. Selecionar parceiros inovadores e comprometidos é essencial. As equipes de API colaboram estreitamente com esses parceiros para aperfeiçoar a API até alcançar as metas estabelecidas. Monitorar métricas como registros de usuários e solicitações ao longo do tempo é vital para refinar a API, enquanto o acompanhamento de indicadores específicos, como erros ou tempos de resposta, garante a entrega dos resultados esperados.

Avaliar o desempenho da API por meio de tendências e métricas históricas ajuda as equipes a gerenciar seu portfólio, determinando quais APIs promover e quais descontinuar, otimizando assim o catálogo de serviços. Nesta era digital, dominar a gestão de API é fundamental. Aqueles que se sobressaírem na implementação e gestão de APIs estarão melhor posicionados para extrair valor contínuo e se destacar em um cenário digital competitivo.

ilustração digital de circuitos eletrônicos monetização de API
Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

O Horizonte Promissor da Monetização de API

Vivemos em uma era digital onde as APIs estão no epicentro das transformações tecnológicas. Como apresentado ao longo deste artigo, a monetização de API é uma estratégia vital para as empresas modernas que buscam maximizar o valor de seus dados e serviços. O exemplo do Google Maps e de gigantes digitais como Amazon, Facebook e Netflix ilustra o enorme potencial de monetização destes recursos.

Mas, além do simples lucro, as APIs têm o poder de transformar ecossistemas empresariais, criando relações de valor entre diferentes instituições e plataformas. A chave para o sucesso na economia das APIs reside na compreensão profunda do valor dos dados para os usuários, na exposição adequada da API para nichos específicos e em uma gestão eficaz.

O futuro da monetização de API é brilhante, contudo, é essencial para as empresas abordarem a monetização com uma estratégia bem planejada, levando em consideração a privacidade, o compliance e a satisfação do usuário. E à medida que mais empresas embarcam nessa jornada, é seguro dizer que as oportunidades só crescerão, moldando o futuro dos negócios digitais.

Fernanda Martins
Fernanda Martins
Formada em Letras, com pós em mídias sociais, e redatora do portal de notícias Itshow. Já escreveu para vários blogs de cultura pop, produziu conteúdo no Facebook e no Instagram sobre literatura e até escreveu algumas fanfics pela internet. Hoje, se especializa em redação e usa suas habilidades de escrita crítica e literária para trazer mais sensibilidade aos textos e continuar fazendo o que ama.
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