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O que é uma nuvem híbrida e quais são seus desafios nas empresas

O que é nuvem híbrida?

A tecnologia da nuvem vem experimentando um rápido crescimento e evolução. O conceito de nuvem híbrida ganhou destaque em várias conversas e eventos de tecnologia, e mistura infraestruturas de nuvem privada e pública, proporcionando uma solução flexível e eficiente para muitas organizações.

A nuvem híbrida consiste em um modelo de infraestrutura que une a computação em nuvens públicas, privadas e data centers ou locais de “borda”, permitindo a execução de aplicativos de forma distribuída conforme as necessidades específicas de uma empresa. Esse tipo de solução favorece a migração e o gerenciamento de cargas de trabalho entre diferentes tipos de nuvem, proporcionando maior versatilidade, redução de custos, minimização de riscos e expansão de recursos.

Comum na era da transformação digital, essa abordagem permite a transição gradual de aplicativos e dados, possibilitando o uso contínuo de serviços locais, ao mesmo tempo em que aproveita o armazenamento flexível e o acesso a dados e aplicativos em nuvens públicas, como o Google Cloud.

Nuvem pública

Neste modelo, a tecnologia de computação em nuvem é terceirizada e está sob a propriedade de um provedor público, isto é, uma entidade que oferece a mesma infraestrutura de armazenamento e servidores para seus clientes.

No entanto, isso não indica que os dados são de domínio público, mas que o provedor assume a responsabilidade pelo desenvolvimento e administração do serviço, e o espaço designado para os arquivos é compartilhado com outros usuários do serviço.

cybersegurança na nuvem
Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

Nuvem privada

Quando uma organização deseja assumir a responsabilidade pela implantação e gerenciamento da tecnologia de nuvem, ela opta por um serviço privado. Neste cenário, o servidor pode estar situado na própria empresa ou em outro local. A maior distinção aqui é a segurança. Embora seja um processo mais exigente do que a nuvem pública, nesta modalidade, apenas indivíduos autorizados terão acesso ao sistema. O ambiente será privado, proporcionando um nível de confiabilidade mais elevado.

A nuvem híbrida é um modelo atrativo para empresas que necessitam armazenar dados confidenciais, mas também desejam um modelo acessível e flexível. Esses dados mais delicados serão guardados na nuvem privada, e os demais serão mantidos na nuvem pública. Deste modo, aproveita-se o melhor de ambos os mundos: a segurança da nuvem privada e a escalabilidade da nuvem pública. Porém, há de se ter cuidado ao aproveitar essa nova tendência e estudar qual modelo de nuvem é o mais adequado para a sua empresa.

Em entrevista com Ivan Ferraz, CTO da Miltre, o Podcast Itshow falou sobre nuvem híbrida, seus desafios e suas possibilidades para as novas necessidades tecnológicas das empresas. “Nuvem híbrida está crescendo muito. Temos que estar atentos a tudo isso. Mas quando se trata de tendências, é preciso ter cuidado. Você está seguindo uma tendência sólida, na qual pode investir o dinheiro da empresa, ou uma tendência na qual ainda não tem segurança?”

Como funciona uma nuvem híbrida

É importante considerar a nuvem híbrida como um dos elementos-chave da evolução tecnológica, oferecendo a capacidade de operar em múltiplas nuvens (multi-cloud) com base nas necessidades e características específicas do negócio. 

Nuvens híbridas combinam recursos de múltiplos ambientes de computação, requerendo integração, orquestração e coordenação para o compartilhamento, a alteração e a sincronização ágil de informações. A eficácia da implantação depende de uma forte rede de nuvem híbrida, estabelecida comumente por LAN, WAN, VPN e APIs.

Quer saber mais sobre nuvem híbrida e arquitetura de dados? Ouça o episódio completo do nosso Podcast!

A arquitetura de nuvem híbrida, assim como outros modelos de computação em nuvem, explora tecnologias de virtualização, conteinerização e armazenamento e rede definida por software para abstrair e agregar recursos. Com o auxílio de softwares de gerenciamento dedicados, as organizações conseguem alocar recursos e prover, sob demanda, em diferentes ambientes.

Por exemplo, uma organização pode usar o Firebase do Google para etiquetar (tag) aplicativos, aproveitando a facilidade de integração do Google Cloud, enquanto mantém seu data lake na AWS. Esta abordagem exige a transação entre duas nuvens e a manutenção de um legado on-premises. Ao equilibrar estes diferentes elementos, é possível obter o máximo proveito de cada solução em nuvem, levando em consideração também os custos e processos associados.

O papel dos profissionais de TI

Os profissionais de TI desempenham um papel crítico como mediadores entre a tecnologia e a estratégia. Ao entender as capacidades e benefícios de diferentes soluções de nuvem, eles podem influenciar positivamente o negócio. Uma nuvem pode oferecer melhores resultados para um segmento específico do negócio, enquanto outra nuvem pode ser mais adequada para as competências internas da equipe de TI. 

A capacidade de alternar e adaptar-se com base nas necessidades é uma das principais vantagens da nuvem híbrida. Como líderes de TI, é fundamental dominar este “Lego” de soluções em nuvem, ativando e desativando componentes conforme as necessidades do negócio. “Ir para uma nuvem híbrida oferece a riqueza de poder jogar. É como um Lego, você monta de acordo com a característica. O importante é conhecer e trabalhar nisso”, acrescenta Ferraz.

Benefícios da computação em nuvem híbrida

Modernização Flexível

A nuvem híbrida permite a migração de aplicativos para a nuvem de acordo com o ritmo da empresa, possibilitando uma transformação gradual da infraestrutura técnica.

Conformidade Regulamentar

A nuvem híbrida costuma ser compatível com setores que possuem regras específicas sobre a localização operacional de seus aplicativos, permitindo a operação conjunta de nuvens privadas e públicas.

Execução de Aplicativos no Local

Aplicativos regulamentados que necessitam permanecer em sistemas locais ou mainframes difíceis de migrar para a nuvem podem ser gerenciados com a nuvem híbrida.

Execução de Aplicativos em Locais de Borda Remotos

A nuvem híbrida funciona para setores que necessitam de computação de borda para baixa latência, permitindo a execução de aplicativos selecionados em locais remotos.

Para se aprofundar ainda mais, convidamos você a baixar o material de apoio do podcast!

Diferenças entre multicloud e nuvem híbrida

Uma nuvem híbrida se baseia em um único plano de gerenciamento, ao passo que uma estratégia multicloud requer que cada ambiente de nuvem seja gerenciado individualmente.

A nuvem híbrida é um ambiente de computação que une a computação em nuvens públicas e privadas, permitindo que dados e aplicativos sejam compartilhados entre elas. Por outro lado, o multicloud é uma abordagem que envolve mais de um serviço e mais de um provedor de nuvem, seja pública ou privada.

Ou seja:

  • Nuvem Híbrida: Corresponde à presença de múltiplos tipos de implantação (pública ou privada) com algum grau de integração ou orquestração entre elas;
  • Multicloud: Refere-se à presença de mais de uma implantação de nuvem do mesmo tipo (pública ou privada), proveniente de diferentes fornecedores.

Solução de nuvem híbrida para as empresas

Hoje em dia, os departamentos de TI buscam projetar ambientes de nuvem híbrida que empreguem as mesmas pilhas tecnológicas para se alinhar à adoção de tecnologias nativas da nuvem, microsserviços, arquiteturas baseadas em contêineres e infraestrutura como código.

Ao longo do tempo, as soluções de nuvem híbrida têm se desviado do foco na interconectividade entre locais, voltando-se mais para a portabilidade das cargas de trabalho e a implantação automatizada no ambiente mais adequado para o caso de uso empresarial.

Portanto, sugerimos considerar as plataformas de nuvem híbrida com base no que elas podem fazer, e não apenas em termos de localização e propriedade.

Uma solução de nuvem híbrida deve:

  • Agregar recursos, serviços e funcionalidades de TI;
  • Automatizar o escalonamento horizontal e o provisionamento;
  • Permitir a transferência fluida de cargas de trabalho entre ambientes;
  • Orquestrar processos e fornecer gestão unificada;
  • Automatizar o lançamento de aplicativos em nuvens privadas e públicas, bem como em locais de borda.

Migração para a nuvem

A migração para a nuvem é uma decisão estratégica que pode impulsionar a inovação e o crescimento dos negócios. No entanto, é um erro supor que todas as operações e dados de uma empresa devem ser movidos para a nuvem indiscriminadamente. 

A decisão de quais operações levar para a nuvem deve ser informada por uma cuidadosa engenharia e arquitetura de software. A questão central é: quais elementos precisam ser hospedados em um ambiente que nunca falhe, que responda rapidamente e que possa escalar? A resposta a essa pergunta direcionará a migração para a nuvem.

A arquitetura de comunicações assíncronas pode ser uma opção viável nesse cenário, pois garante que uma falha em uma parte do sistema não afete os usuários na outra ponta.

A escalabilidade na nuvem

A escalabilidade na nuvem é uma característica crucial e pode variar de acordo com o segmento de mercado. Em alguns casos, ela pode ser exponencial. Como CIO, é crucial garantir que as camadas do sistema estejam operando de acordo com suas características individuais. Cada camada deve ser avaliada em termos de vantagens, custos e necessidades específicas.

Algumas camadas precisam ser altamente confiáveis e, portanto, são melhores na nuvem. A nuvem permite uma escalabilidade eficiente; você paga apenas pelo que está utilizando. Se a demanda diminuir, você pode ajustar o uso e, portanto, o custo, para corresponder.

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Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

O que migrar para a nuvem

Ao ponderar sobre quais operações migrar para a nuvem, é essencial considerar o que não pode parar de funcionar de maneira alguma. Esses elementos devem ser priorizados para a migração para a nuvem. Além disso, você deve avaliar o que já foi investido no legado e decidir se vale a pena manter alguns desses sistemas inalterados.

Um elemento crucial que não pode ser negligenciado é a equipe de arquitetura. Ter uma equipe sólida e experiente é essencial para garantir que a migração para a nuvem seja bem-sucedida. Eles serão os responsáveis por garantir que a interseção entre os sistemas legados e a nuvem esteja funcionando corretamente. A migração para a nuvem requer uma avaliação cuidadosa, um planejamento meticuloso e uma execução eficiente.

Segurança na era do armazenamento em nuvem

A crescente adoção de tecnologias de nuvem e o constante influxo de dados gerados todos os dias aumentaram significativamente a importância da segurança de dados, seja para ambientes de armazenamento de dados no local (on-premise) ou na nuvem. Já se foram os dias das simples caixas de arquivos para proteção de dados.

Hoje, a segurança tem de ser conceitualizada em termos de camadas de proteção. Essa abordagem de segurança em várias camadas exige uma mudança de uma perspectiva singular para uma que inclua vários elementos de proteção de dados, de criptografia e controle de acesso à segmentação de rede e além.

A migração para a nuvem não garante automaticamente uma segurança total. Assim como em qualquer outro ambiente de TI, a nuvem requer um esforço consciente para garantir a segurança dos dados. Recursos de segurança como autenticação de dois fatores, APIs de segurança e microssegmentação são vitais. Expande-se o escopo da segurança para abranger vários aspectos e camadas do ambiente de nuvem, resultando em uma defesa mais robusta.

Estratégias de segurança

Uma arquitetura bem planejada é um dos pilares da segurança de dados eficaz. A arquitetura de segurança deve ser construída de modo a evitar pontos vulneráveis que possam ser explorados por atores maliciosos. Aspectos modernos de segurança como Zero Trust Network Access (ZTNA), Application Programming Interface (API) e User and Entity Behavior Analytics (UEBA) devem ser incorporados à estratégia. 

A segurança da aplicação e a segurança da nuvem são essenciais e precisam de um planejamento meticuloso e de uma estratégia de arquitetura bem pensada. “A nuvem híbrida surge como uma solução, tornando-se agnóstica às suas características e permitindo que você navegue de acordo com suas necessidades. Conhecer essas características é crucial para ajudar o negócio a ganhar influência”, conclui Ivan Ferraz.

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Fernanda Martins
Fernanda Martins
Formada em Letras, com pós em mídias sociais, e redatora do portal de notícias Itshow. Já escreveu para vários blogs de cultura pop, produziu conteúdo no Facebook e no Instagram sobre literatura e até escreveu algumas fanfics pela internet. Hoje, se especializa em redação e usa suas habilidades de escrita crítica e literária para trazer mais sensibilidade aos textos e continuar fazendo o que ama.
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