29.2 C
São Paulo
sábado, fevereiro 24, 2024
InícioCibersegurançaMicroservicesArquitetura de microsserviços: entenda o que é

Arquitetura de microsserviços: entenda o que é

Você sabia que, à medida que a infraestrutura tecnológica das empresas se torna cada vez mais complexa, a comunicação entre microsserviços assume um papel crucial nesse cenário? Pequenos e autônomos, os microsserviços precisam conversar entre si para formar um sistema mais complexo e abrangente. Sem uma comunicação eficaz, seu sistema pode se tornar ineficiente ou até mesmo falhar completamente. Imagine poder aperfeiçoar a comunicação entre seus microsserviços, otimizando a performance do sistema e evitando gargalos ou falhas. Parece bom demais para ser verdade? Continue lendo e descubra estratégias para melhorar a comunicação entre os microsserviços da sua empresa.

O que são microsserviços?

Microsserviços tem sido um tópico quente na área de TI nos últimos anos, com empresas de todos os tamanhos procurando implementá-los para melhorar a eficiência e a escalabilidade de seus sistemas. Em sua essência, um microsserviço nada mais é do que um aplicativo que se divide em serviços menores, independentes e autônomos, cada um responsável por uma função específica. Esse sistema encapsula uma especialidade específica e a disponibiliza através de um ponto de acesso, geralmente uma API (Application Programming Interface). Essa abordagem, baseada no princípio do REST, permite que diferentes partes de um sistema se comuniquem de maneira rápida e eficiente.

várias pessoas trabalhando em uma rede de multisserviços
Imagem criada por Inteligência Artificial (IA)

Segurança

Porém, a implementação de microsserviços não está isenta de desafios, particularmente no que diz respeito à segurança. A natureza distribuída dos microsserviços exige uma atenção cuidadosa, começando pela governança. Uma questão fundamental nos microsserviços está em decidir quais partes do sistema serão expostas (via API) e quais permanecerão ocultas. APIs expostas podem ser um alvo para ataques se não forem devidamente protegidas.

“No fundo, o microsserviço, é um sistema onde ele encapsula uma especialidade e provê esse acesso através de um endpoint. Estamos falando de uma API aqui baseada em REST. É governança, é cuidado com segurança, principalmente porque você está expondo. Aliás, um cuidado muito importante é determinar o que eu vou expor e o que eu não vou expor. Então o que a gente expõe? API”, explica Sérgio Gama, CTO na GFT Group.

Há várias maneiras pelas quais a segurança pode falhar em um ambiente de microsserviços. Um exemplo comum é a falha de segurança conhecida como “Injection”. Nesse cenário, um atacante pode tentar enviar comandos SQL através de um campo de entrada, como o campo “nome”, na tentativa de explorar falhas na API.

Por isso, é fundamental que a segurança seja considerada desde o início do desenvolvimento de microsserviços. A abordagem de “segurança por design” defende a incorporação de práticas de segurança desde a concepção do código. Isso inclui testes de penetração, testes de vulnerabilidade, verificações de backdoor e proteção contra ataques de DDoS.

Especificamente, ao utilizar pipelines de DevOps, é essencial verificar se existem acessos diretos não autorizados ao banco de dados ou se as credenciais estão sendo expostas de alguma forma. A segurança, portanto, deve ser considerada não apenas em termos de autenticação, mas também desde a fase inicial de desenvolvimento de código.

Vantagens da arquitetura de microsserviços

Embora a adoção de microsserviços tenha ganhado popularidade nos últimos anos, ela também possui vantagens e desvantagens a serem consideradas. Assim, cada serviço pode ser desenvolvido e implantado de forma independente e isso permite que as equipes de desenvolvimento trabalhem em paralelo e atualizem e modifiquem um serviço sem afetar os outros. Essa independência resulta em maior agilidade e velocidade de desenvolvimento.

Os microsserviços permitem dimensionar cada serviço individualmente com base nas necessidades específicas, o que significa que você pode alocar recursos apenas para os serviços que precisam de escalabilidade. Além disso, como os serviços são independentes, as falhas que acontecem em um serviço não afetam os outros, o que contribui para um melhor desempenho geral do sistema.

Além disso, com a arquitetura de microsserviços, é possível escolher diferentes tecnologias e linguagens de programação para cada serviço, desde que eles se comuniquem por meio de APIs bem definidas. Isso permite que você use a tecnologia mais adequada para cada caso de uso, aproveitando o conhecimento e as habilidades existentes na equipe.

Quer saber tudo sobre a arquitetura de microsserviços e como ela funciona? Ouça o episódio completo no Spotify!

Desvantagens do uso dos microsserviços

Porém, embora a comunicação entre serviços seja feita por meio de APIs, gerenciar essa comunicação em um ambiente de microsserviços pode se tornar complexo. É necessário implementar mecanismos para lidar com a latência da rede, garantir a consistência dos dados e lidar com falhas de comunicação entre os serviços.

A implementação de microsserviços também requer um ambiente de infraestrutura mais complexo, pois cada serviço precisa ser implantado e executado de forma independente. Isso pode resultar em uma sobrecarga de gerenciamento, monitoramento e escalabilidade da infraestrutura. Em projetos com muitos serviços, pode ser desafiador coordenar o trabalho entre várias equipes, pois cada equipe fica responsável por um ou mais serviços, o que exige uma comunicação eficiente, alinhamento de APIs e tomada de decisões em conjunto. 

De acordo com o Technology Trends for 2023, feito pela O’Reilly Media, o departamento de TI está em busca de uma infraestrutura mais completa para conseguir gerenciar os microsserviços, pois isso inclui o gerenciamento de várias bases de código, depuração através de serviços e manutenção da consistência em diferentes serviços.

Para se aprofundar no assunto, convidamos você a baixar nosso material de apoio do podcast!

Arquitetura de microsserviços x arquitetura monolítica: qual escolher?

Tanto os microsserviços, quanto os monólitos são duas abordagens diferentes para projetar e desenvolver aplicativos de software. Cada uma delas possui suas próprias características, vantagens e desafios. 

Na abordagem monolítica, todo o aplicativo é construído como um único e grande monólito, ou seja, todas as funcionalidades do aplicativo estão agrupadas e interligadas dentro de um único código-base e implantadas como uma única unidade. Esse tipo de sistema é caracterizado pela simplicidade, pois não há a necessidade de lidar com a complexidade de comunicação e coordenação entre diferentes serviços.

A desvantagem é que, para dimensionar o aplicativo, é necessário dimensionar toda a aplicação, mesmo que apenas uma parte específica precise de recursos adicionais, o que torna a escalabilidade um desafio. Também temos a questão de que a arquitetura monolítica geralmente usa uma única linguagem de programação e um único banco de dados para todo o aplicativo, tirando um pouco da versatilidade.

Já a arquitetura de microsserviços divide o aplicativo em um conjunto de serviços independentes, cada um executando uma única funcionalidade específica. Esses serviços são desenvolvidos e implantados separadamente, o que traz uma escalabilidade mais granular. Ou seja, apenas os serviços que precisam ser dimensionados recebem recursos adicionais. Assim, a manutenção e a evolução do serviço se torna muito mais específica, causando impactos mínimos nos outros serviços, o que traz mais independência e autonomia para as equipes, sem precisar de todo um gerenciamento central.

Podemos entender que a usar monólitos é adequado para aplicativos menores e mais simples, enquanto a arquitetura de microsserviços costuma ser mais adequada para aplicativos complexos, escaláveis e com equipes de desenvolvimento distribuídas. A escolha da abordagem mais adequada depende diretamente dos requisitos e das necessidades específicas do projeto.

Microservices e API’s: qual é a relação entre eles

A Application Programming Interface (API) é um software intermediário entre dois aplicativos interagindo um com o outro. Ela conecta dois computadores ou programas de computador através de uma interface. A API conecta peças de software e computadores entre si e não é para ser usada diretamente pelo usuário final, exceto pelo programador que deseja integrá-la a uma solução de software.

Já um microsserviço é um serviço pequeno que foi dividido de um aplicativo maior para poder ser administrado com mais autonomia e independência, além de assim poder ter uma melhor escalabilidade. Mas o que o microsserviço tem a ver com a API? 

Microsserviços e APIs são duas tecnologias complementares que são frequentemente usadas juntas no desenvolvimento de aplicações modernas, já que as APIs fornecem a interface que um microsserviço usa para solicitar informações ou funções de outro microsserviço, o que chamamos de API REST.

São também as APIs que permitem que cada microsserviço seja alterado e implantado de forma independente, garantindo o isolamento e o desacoplamento entre eles. Para que tudo funcione da forma correta, APIs e microsserviços são frequentemente usados em conjunto a fim de criar aplicações escaláveis, resilientes e flexíveis.

trabalhadores de uma fábrica cooperando entre si, simbolizando os microsserviços e os APIs
Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

Empresas que migraram para os microsserviços

Netflix

No ano de 2009, a infraestrutura da Netflix não conseguiu atender à crescente demanda por serviços ágeis de streaming. Para corrigir esse problema, foi tomada a decisão de migrar a infraestrutura de TI dos data centers privados para a nuvem pública, além de substituir a arquitetura monolítica pela arquitetura de microsserviços.

Com isso, a Netflix se destacou como uma das primeiras empresas de grande renome a obter êxito na transição do modelo monolítico para a arquitetura de microsserviços baseada na nuvem. Esse feito foi reconhecido na edição de 2015 do prêmio JAX Special Juryen-technology, devido à sua inovação tecnológica. Atualmente, a Netflix conta com mais de mil microsserviços, responsáveis por gerenciar e sustentar diferentes partes da plataforma. 

Uber

A Uber foi outra empresa que se rendeu à arquitetura de microsserviços, com mais de 2 mil microsserviços críticos de alta complexidade, que exigiram muito trabalho da equipe de arquitetura. A própria organização do Uber Maps é dividida em três domínios, com 80 microsserviços por trás de 3 gateways diferentes. Os serviços de pesquisa de mapas constituem um domínio, serviços de tarifa são um domínio, plataforma de correspondência entre passageiros e motoristas, outro domínio.

Arquitetura de microsserviços é desafiadora

A arquitetura de microsserviços marcou uma virada significativa no desenvolvimento tecnológico, oferecendo um nível de modularidade e independência que as arquiteturas monolíticas muitas vezes não conseguem fornecer. Ao subdividir um aplicativo complexo em serviços menores e independentes que se comunicam através de interfaces bem definidas, as equipes de desenvolvimento podem inovar, atualizar e escalar componentes individuais do sistema sem interromper o funcionamento do todo. Isso contribui para uma maior agilidade organizacional, facilita a adoção de tecnologias emergentes e possibilita a criação de sistemas mais resilientes e escaláveis.

Contudo, é importante ressaltar que a arquitetura de microsserviços também traz consigo novos desafios. A gestão da complexidade inerente aos sistemas distribuídos, a necessidade de coordenação entre equipes de desenvolvimento e a adoção de práticas robustas de monitoramento, segurança e governança são apenas alguns exemplos. Portanto, apesar dos seus benefícios, a transição para a arquitetura de microsserviços deve ser considerada cuidadosamente, pois, como conclui Gama, “cada um pode ter vários padrões dentro de si, e o melhor padrão é aquele que melhor se adapta à sua situação específica”.

Assine nossa Newsletter para receber os melhores conteúdos do Itshow diretamente no seu email.

Fernanda Martins
Fernanda Martins
Formada em Letras, com pós em mídias sociais, e redatora do portal de notícias Itshow. Já escreveu para vários blogs de cultura pop, produziu conteúdo no Facebook e no Instagram sobre literatura e até escreveu algumas fanfics pela internet. Hoje, se especializa em redação e usa suas habilidades de escrita crítica e literária para trazer mais sensibilidade aos textos e continuar fazendo o que ama.
Postagens recomendadas
Outras postagens