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Transformações na Segurança Cibernética: Uma Visão Detalhada das Previsões da Gartner para 2023-2024

Essa é a 11ª matéria da série: Por dentro da RSAC com nosso colunista Allex Amorim.

Durante a RSA Conference deste ano, tive a satisfação de participar de um dos painéis mais esclarecedores apresentados por Leigh McMullen, vice-presidente distinto e analista da Gartner. A discussão não se limitou a projeções superficiais; pelo contrário, mergulhamos profundamente nas nuances que estão moldando o futuro da segurança cibernética. Foi uma experiência reveladora, destacando como as dinâmicas em evolução entre os humanos e as tecnologias de inteligência artificial estão direcionando estratégias inovadoras e necessárias na proteção de dados.

O Impacto dos Fatores Humanos e da Inteligência Artificial

A sessão começou com uma exploração do papel crescente dos fatores humanos dentro da segurança cibernética. McMullen articulou uma visão onde a inteligência artificial não apenas complementa, mas também intensifica as capacidades humanas, criando um ambiente onde a segurança é tanto proativa quanto adaptativa. Este cenário está se tornando cada vez mais vital à medida que as organizações enfrentam ameaças sofisticadas que não apenas desafiam a segurança técnica, mas também exploram vulnerabilidades humanas.

Conforme a discussão avançava, ficou evidente que a gestão da privacidade está se transformando em um campo de batalha crucial para as empresas. A previsão da Gartner de que até 2024 a maioria dos dados dos consumidores estará sob regulamentações modernas de privacidade traz à tona um desafio intrigante: menos de 10% das organizações conseguirão transformar a privacidade em uma vantagem competitiva. Isso ressalta a importância de uma estratégia de privacidade que não apenas atenda aos requisitos de conformidade, mas que também se alinhe e potencialize os objetivos de negócios.

Governança e Cultura de Segurança Cibernética

Em um mundo cada vez mais digitalizado, a governança e a cultura de segurança nas organizações estão sob constante escrutínio. Leigh McMullen, durante sua apresentação na RSA Conference, destacou um ponto crucial: a governança de segurança não é mais apenas sobre a implementação de ferramentas e protocolos; trata-se de integrar a segurança no tecido da cultura organizacional. Este tema, essencial e muitas vezes subestimado, reflete uma mudança paradigmática de como as empresas devem abordar a segurança cibernética num futuro próximo.

A transformação começa com a liderança. A liderança precisa adotar e promover uma visão de segurança que transcenda os departamentos técnicos e permeie todas as camadas da organização. Isso envolve educar e capacitar todos os funcionários sobre a importância da segurança, tornando-a uma responsabilidade compartilhada, não apenas uma função isolada do departamento de TI.

Adicionalmente, as mudanças no mercado de trabalho, especialmente em segurança cibernética, sugerem um desgaste significativo entre os profissionais da área. As estatísticas indicam que até 2025, uma grande proporção de líderes em segurança cibernética estará mudando de empregos ou até mesmo de carreiras devido ao estresse e à pressão constantes.

Isso acende um sinal de alerta para as organizações reavaliarem como estão apoiando e valorizando seus talentos em segurança. A promoção de um ambiente de trabalho que reconhece e alivia as pressões enfrentadas por esses profissionais é fundamental.

Por fim, a implementação de uma governança eficaz em segurança cibernética também deve considerar a diversificação e a inclusão como componentes chave. A diversidade de pensamentos e experiências contribui para uma abordagem mais robusta e inovadora na resolução de problemas de segurança. Portanto, as organizações devem se esforçar para criar equipes diversificadas que possam oferecer perspectivas variadas e soluções criativas para os desafios de segurança.

A adoção dessas práticas não só fortalecerá as defesas contra ameaças externas e internas, mas também promoverá uma cultura de segurança que é resiliente, adaptativa e inclusiva. Estas mudanças são essenciais para que as organizações não apenas sobrevivam, mas prosperem na paisagem digital em constante mudança.

As previsões da Gartner não são apenas indicativos de futuras tecnologias ou estratégias; elas são um chamado à ação para todos nós no campo da segurança cibernética. Este painel foi um lembrete poderoso de que, enquanto enfrentamos essas mudanças, precisamos cultivar uma abordagem holística que equilibre a tecnologia com a sensibilidade humana.

No coração da segurança efetiva, encontramos a empatia e a adaptabilidade, qualidades essenciais que devem ser integradas nas nossas estratégias de proteção. Ao abraçarmos esses desafios com uma mentalidade inovadora e centrada no humano, podemos não apenas responder às ameaças emergentes, mas também moldar ativamente o futuro da segurança cibernética.

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Allex Amorim
Allex Amorimhttp://www.allexamorim.com.br/
Mais de 20 anos de experiência em diversos setores, especializando-se em Tecnologia, LGPD e Segurança da Informação. Desenvolveu e executou planos de segurança, gerenciou crises e equipes multidisciplinares, além de atuar como conselheiro consultivo. Escreveu sobre segurança e inovação, utilizou metodologias ágeis e dominou a gestão de equipes em ambientes complexos, destacando-se pela capacidade analítica, liderança, e habilidade em promover a colaboração e adaptabilidade.
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