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Sistema legado: está na hora de modernizar a sua empresa e manter seus sistemas atualizados

No universo da Tecnologia da Informação, os sistemas legados surgem como um paradoxo intrigante: por um lado, são essenciais e valorosos para a continuidade das operações diárias nas empresas; por outro, representam um desafio significativo na adoção de inovações tecnológicas. 

A realidade dos sistemas legados, muitas vezes rígidos e intrincados, entra em conflito com as vantagens oferecidas por técnicas modernas, como a infraestrutura como código e as metodologias ágeis, que prometem maior eficiência e capacidade de resposta rápida. 

Marcos Gomes, Diretor de TI e Digital da Coca-Cola FEMSA, aborda este assunto no 19º episódio do podcast Itshow: “O maior desafio como um executivo de TI é trazer essa modernidade que nos ajuda muito, essa parte de infraestrutura como código, de como colocamos toda essa agilidade que todos falam, o Agile, e como conseguimos fazer deploys mais rápidos dentro do nosso legado.”

Em particular, empresas cujo foco principal não é a TI enfrentam um dilema. A evolução tecnológica acelera a transformação dos negócios, exigindo implementações e reversões rápidas, um cenário muito distante do ambiente de sistemas monolíticos do passado, onde falhas significativas resultavam em longos períodos de inatividade e reparos. “Isso é uma grande dor, não só nas indústrias, mas em todas as empresas cujo core não é TI. As novas tecnologias estão transformando a forma como o negócio nos olha, viramos habilitadores de TI, trazendo velocidade”, destaca Gomes.

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Imagem gerada por Inteligência Artificial (IA)

O que é um sistema legado

Sistemas legados referem-se a plataformas tecnológicas que, apesar de terem servido uma organização por muitos anos, estão se tornando obsoletas. Estes sistemas são projetados com uma expectativa de longevidade, estruturados em um modelo de camadas que integra aspectos sociais e técnicos. 

Com o rápido avanço da tecnologia, essas infraestruturas muitas vezes se mostram inadequadas para atender às necessidades e ritmos atuais das organizações, como é o caso de softwares desenvolvidos há décadas.

Os principais desafios enfrentados pelos sistemas legados incluem dívida técnica e dependência de processos manuais. Isso significa que esses sistemas costumam exigir intervenção humana excessiva e falham em oferecer configurações eficientes e atualizadas.

Como identificar um sistema legado

Software antiquado

Uma das principais características dos sistemas legados é a cessação de atualizações por seus desenvolvedores. As atualizações de software não apenas corrigem falhas anteriores, mas também reforçam a segurança contra ameaças cibernéticas cada vez mais sofisticadas. A falta de atualizações deixa os sistemas corporativos vulneráveis a invasões, podendo comprometer dados e afetar negativamente a reputação da empresa no mercado.

Tecnologia desatualizada

Os sistemas legados também são caracterizados por sua obsolescência tecnológica. Isso não implica necessariamente que o software seja antigo, mas que opera com tecnologias ultrapassadas, como linguagens de programação descontinuadas, protocolos não utilizados, bancos de dados e formatos de arquivos antiquados. 

Esses sistemas geralmente contam com hardware desatualizado e mainframes caros, que não se alinham às novas exigências tecnológicas, como escalabilidade e integração, impactando a experiência do cliente e as operações internas.

Ouça agora o episódio 19 do podcast Itshow disponível no Spotify!

Falta de mobilidade

Na era digital atual, a mobilidade é uma característica essencial dos softwares modernos, permitindo o acesso a informações em tempo real por dispositivos móveis. Os sistemas legados, concentrados em computadores fixos e sem integração com diversos tipos de aplicações, limitam essa mobilidade essencial.

Escassez de colaboradores treinados

Um desafio com sistemas legados é a dependência de um número restrito de colaboradores treinados. Se esses profissionais se ausentarem ou deixarem a empresa, surgem dificuldades significativas para outros aprenderem e dominarem o sistema, gerando custos de tempo e dinheiro.

Falta de escalabilidade

A escalabilidade é vital para softwares no ambiente corporativo moderno, pois é necessário expandir os sistemas à medida que a empresa cresce. Entretanto, os sistemas legados, não projetados com essa perspectiva em mente, eventualmente falham em suportar a dinâmica operacional de uma empresa em expansão, levando a possíveis colapsos.

Ausência de suporte

Com o tempo, os fabricantes podem cessar o suporte técnico aos sistemas legados devido a vários fatores. Para manter a eficiência operacional, as organizações precisam agir preventivamente, acompanhando tendências de TI e investindo em modernização.

Incompatibilidade com sistemas modernos

Um dos principais problemas dos sistemas legados é a incompatibilidade com softwares modernos, que geralmente são projetados para integrar-se facilmente a outras ferramentas. Sistemas com baixa compatibilidade estagnam a estrutura organizacional, limitando o aprimoramento operacional.

Dependência de servidores físicos

A dependência de servidores físicos e hardware para a automação de processos é um forte indicativo de sistemas legados. Em contraste, a computação na nuvem, mais acessível e segura, está se tornando o padrão no mercado de softwares e aplicativos de gestão.

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Benefícios de atualizar um sistema legado

Escalabilidade em tecnologia

A escalabilidade é um fator essencial na decisão das empresas de substituir sistemas antigos por versões mais modernas. Softwares escaláveis são aqueles que conseguem se adaptar e atender às demandas crescentes de um negócio em expansão. Em contraste, sistemas legados carecem dessa flexibilidade, limitando-se em funcionalidades e impedindo o crescimento da empresa.

Integração de sistemas

A integração eficaz dos sistemas é vital para manter a sincronia entre diferentes departamentos de uma empresa. No entanto, sistemas legados apresentam desafios de integração devido à incompatibilidade com tecnologias mais recentes. Para superar esses obstáculos e assegurar uma integração harmoniosa entre os sistemas internos da empresa, bem como com os de fornecedores e clientes, é essencial adotar tecnologias atualizadas e modernas.

Segurança dos dados

Com a implementação da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), tornou-se obrigatório para as organizações assegurar a proteção dos dados pessoais dos clientes. Sistemas legados, entretanto, enfrentam dificuldades para atender a essas exigências, visto que estão mais suscetíveis a ciberataques e violações de dados devido à sua natureza estática e desatualizada. 

Além disso, as empresas devem demonstrar que os dados estão seguros em todas as fases – desde a coleta até o armazenamento e manipulação. Softwares modernos proporcionam uma defesa robusta contra vazamentos de dados e ataques cibernéticos, tornando a migração para sistemas mais novos uma escolha mais segura e eficaz em termos de proteção de dados.

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A escalabilidade é um fator essencial na decisão das empresas de substituir sistemas antigos por versões mais modernas

Como modernizar os sistemas legados da sua empresa

Exportação de dados existentes

Antes de iniciar a migração de dados, é preciso assegurar uma extração segura das informações existentes. Recomenda-se a contratação de um profissional especializado para analisar os formatos e o armazenamento dos dados atuais, orientando sobre a maneira mais segura de exportá-los.

Formatação de arquivos

Outro passo importante é a formatação dos dados para que se alinhem aos requisitos do novo sistema a ser implementado pela empresa. Isso geralmente é feito através de um processo de mapeamento de dados, assegurando que o novo software consiga reconhecer e processar esses arquivos corretamente.

Limpeza de dados

A migração também é uma oportunidade para realizar uma limpeza de dados, eliminando informações obsoletas ou redundantes, como duplicatas ou dados incompletos. Isso garante que apenas os dados relevantes sejam transferidos para o novo sistema.

Integração com sistemas atualizados

Uma solução eficaz para sistemas desatualizados é integrá-los a softwares mais modernos. Essa integração permite que o novo software compense as funcionalidades ausentes ou obsoletas no sistema legado. Por exemplo, um sistema financeiro legado pode ser integrado a um software ERP moderno, melhorando o desempenho geral das atividades empresariais.

Reescrita de rotinas

Pode-se também optar por reescrever as rotinas desatualizadas de um sistema legado. Isso envolve fazer um backup dos dados, eliminar o sistema antigo e desenvolver um novo software que atenda melhor às necessidades atuais da empresa.

Uso de técnicas de refactoring

O refactoring, também conhecido como estrangulamento, é um método onde o desenvolvedor mantém o sistema legado operacional enquanto realiza as atualizações necessárias. 

Esse processo gradualmente introduz novas funcionalidades e melhorias de segurança, permitindo a inserção de novas ferramentas no ambiente empresarial sem interromper as operações existentes.

Desenvolvimento de testes automatizados

Os testes automatizados são uma estratégia eficiente para atualizar sistemas legados. Eles permitem a identificação automática de falhas e testam a resposta do software em diferentes cenários, avaliando a usabilidade para os usuários. 

Durante esse processo, é essencial a utilização de feature flags para garantir que as atualizações não perturbem o fluxo de trabalho, permitindo a manipulação do código-fonte do sistema legado sem alterações que comprometam sua operação durante a implementação de novas funções.

Superando os desafios dos sistemas legados na era digital

Os sistemas legados na Tecnologia da Informação representam um desafio duplo: são fundamentais para a continuidade das operações diárias, mas ao mesmo tempo, constituem obstáculos para a incorporação de inovações tecnológicas. 

Como Marcos Gomes, da Coca-Cola FEMSA, destaca, o grande desafio para os executivos de TI é integrar a modernidade tecnológica, mantendo a agilidade e a eficiência operacional, sem prejudicar os sistemas já estabelecidos. 

A migração de sistemas legados para plataformas mais modernas surge como uma necessidade imperativa para as empresas, especialmente aquelas cujo foco principal não é a TI, mas que dependem dela para facilitar a transformação dos negócios.

Esta transição, no entanto, requer uma abordagem cuidadosa e bem planejada. Desde a exportação segura de dados existentes, passando pela formatação e limpeza de dados, até a integração com sistemas atualizados e a aplicação de técnicas como refactoring e testes automatizados, cada passo é decisivo. 

Ao abordar esses aspectos com atenção e estratégia, as empresas podem superar os desafios impostos pelos sistemas legados e aproveitar ao máximo as oportunidades oferecidas pela tecnologia moderna. Assim, garantem não apenas a segurança e a escalabilidade, mas também a capacidade de se adaptar e prosperar no cenário empresarial em constante evolução.

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Fernanda Martins
Fernanda Martins
Formada em Letras, com pós em mídias sociais, e redatora do portal de notícias Itshow. Já escreveu para vários blogs de cultura pop, produziu conteúdo no Facebook e no Instagram sobre literatura e até escreveu algumas fanfics pela internet. Hoje, se especializa em redação e usa suas habilidades de escrita crítica e literária para trazer mais sensibilidade aos textos e continuar fazendo o que ama.
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